25 de maio de 2026
Regional

Presidiário é baleado ao tentar fugir

Michelle Roxo
| Tempo de leitura: 3 min

Avaré - O detento Carlos Araújo Silva, 23 anos, foi baleado na cabeça anteontem à tarde durante uma tentativa de fuga na Penintenciária 2 de Avaré (125 quilômetros ao Sul de Bauru). Até o fechamento desta edição, Araújo estava internado em estado grave no pronto-socorro da cidade, aguardando vaga na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI).

A tentativa de fuga ocorreu por volta das 13h durante o horário de visitas da unidade e envolveu outros dois detentos, Gesse da Silva, 29 anos, e Eli Carlos Dias, 29 anos. O trio, que estava no pátio de recreação, conseguiu escalar uma marquise e chegar ao telhado do presídio. Em seguida, já na área externa, os detentos pularam um dos dois alambrados que cercam a penitenciária de segurança média, quando foram notados por dois agentes de escolta e vigilância penitenciária que estavam nas torres do presídio.

Segundo o diretor da unidade, Hélio José Bonsaglia, no momento em que o trio corria entre a área que separa os dois alambrados, os agentes teriam disparado quatro tiros para o alto, em sinal de alerta aos detentos. Um deles teria deitado no chão e os outros dois continuado a fuga.

Com isso, segundo o diretor, os agentes atiraram sete vezes contra a dupla e um dos tiros atingiu Araújo na cabeça. O terceiro presidiário conseguiu ainda pular o segundo alambrado do presídio, sendo capturado logo em seguida. Ele não foi ferido.

Na avaliação de Bonsaglia, não houve excesso na postura dos agentes de escolta e vigilância. Segundo ele, uma das atribuições desses funcionários é impedir fugas de presos utilizando os recursos disponíveis, inclusive por meio de arma de fogo. “Eles (agentes) trabalham armados justamente para isso. Está dentro do dever legal. É lógico que o tiro deve ser dado em local não vital”, diz. “Infelizmente foi uma fatalidade (atingir a cabeça), mas não houve excessos”, reitera.

A direção do presídio vai instaurar duas sindicâncias internas, uma delas para apurar a ação dos agentes e a suposta responsabilidade de funcionários na facilitação da fuga. O segundo procedimento será instaurado para apurar a conduta dos presos que participaram da ação. “A fuga é considerada uma falta de natureza grave. Então, tem que se instaurar a sindicância para haver uma penalização administrativa, como suspensão de visitas”, diz o diretor.

De acordo com o delegado titular do 3.º Distrito Policial, Osmar Scucuglia Filho, um inquérito policial também foi instaurado para investigar os fatos e a conduta dos funcionários do presídio. “Eu vou ouvir todos os agentes envolvidos e os presos”, afirma.

O detento ferido durante a ação de anteontem é procedente da Capital e cumpre pena por dois assaltos a mão armada e um homicídio. Ele foi condenado a 27 anos de prisão e está na unidade de Avaré há cerca de dois anos.

Os nomes dos agentes penitenciários que atiraram contra os presos estão sendo preservados pela direção da unidade até a conclusão das investigações. A direção também recusou-se a informar a capacidade do presídio e quantos presos estavam no local ontem.

Segundo Bonsaglia, desde julho do ano passado a P2 de Avaré não registrava uma tentativa de fuga. Já a última fuga na unidade ocorreu em novembro de 2002, envolvendo dois detentos. Um deles foi recapturado.