Jaú - A Companhia Jauense Industrial anunciou anteontem uma das maiores demissões em massa da história da cidade. De uma só vez, cerca de 600 funcionários vão ficar sem emprego.
A decisão foi divulgada pela empresa após a concretização da venda de sua linha de produção de embalagens de juta para a Companhia Têxtil de Castanhal, no Pará.
A juta, uma fibra vegetal produzida na região amazônica, é utilizada em sacaria para armazenar, principalmente, café e batata.
No fim de fevereiro último, logo após a Santista Têxtil ter assumido o comando da empresa, outros 120 funcionários já haviam sido demitidos. Ou seja, em menos de três meses, a Companhia Jauense Industrial reduziu seu quadro de funcionários pela metade. A empresa tem agora cerca de 700 empregados.
Como não há em Jaú nenhuma outra empresa que atue no mesmo ramo de atividade, a esperança das pessoas afetadas pela demissão em massa é ser contratada por alguma fábrica de calçado.
Para isso, grande parte dos ex-funcionários deverá passar por um processo de requalificação de mão-de-obra, para que tenha condições de competir com os demais candidatos a uma vaga no mercado de trabalho.
Em nota divulgada à imprensa, o diretor da empresa, Rolf Altorfer, informou que o objetivo da companhia é centralizar sua atuação na produção de tecidos para o mercado de moda, além de lonas e coberturas.
“Essas áreas deverão receber investimentos futuros, para ampliação do mix de produtos e modernização de tecnologia”, diz a nota.
Segundo o diretor, a fabricação de sacaria de juta para embalagem teria causado prejuízos à Jauense nos últimos dois anos. Altorfer não informa de quanto foi a perda, mas cita o alto custo da matéria-prima como um dos principais responsáveis.
Os maiores produtores mundiais de juta estão na Índia e em Bangladesh. No Brasil, o produto é encontrado mais na região Norte, onde estão as únicas três empresas que ainda atuam nesse segmento, após a saída da Jauense.
Na nota, Altorfer informa ainda que a prefeitura tentou impedir as demissões propondo um esforço conjunto para obter incentivos fiscais do governo do Estado.
No entanto, a empresa entendeu que esses incentivos seriam insuficientes para abrandar o alto custo de produção das embalagens na região Sudeste do País.
A Companhia Jauense Industrial passou a ser subsidiária da Santista Têxtil em fevereiro deste ano. Além das sete fábricas que possui no País, a Santista controla ainda empresas na Argentina e no Chile. Em Jaú, o controle é compartilhado com a São Paulo Alpargatas e o Grupo Camargo Corrêa.
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Sindicato surpreso
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Fiação e Tecelagem de Jaú e Região (Sinditextil), Francisco Gaiato, disse ontem que a demissão de 600 funcionários da Companhia Jauense Industrial foi recebida com surpresa.
Segundo ele, havia boatos em torno do assunto, mas não esperava que isso fosse tornar realidade. Ainda menos depois da demissão de 120 funcionários em fevereiro.
Ontem, Gaiato esteve reunido com representantes da empresa mas não conseguiu obter boas notícias. A única, talvez, foi a de que não haverá novas demissões a curto prazo.
A dispensa dos 600 funcionários deverá ocorrer de forma gradativa até 30 de junho. Segundo o presidente do sindicato, a empresa teria se comprometido a conceder um salário a mais, no acerto final, aos funcionários que têm mais de dez anos de serviço. Quem tiver mais de 20 anos dentro da empresa receberá dois salários.