08 de julho de 2026
Bairros

Merenda escolar está sem carne moída

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 2 min

As 141 escolas públicas e creches de Bauru que recebem itens da merenda escolar cedidos pela prefeitura estão sem carne moída desde o início do mês passado. A Vale do Mucuri, empresa responsável pelo fornecimento, solicitou um realinhamento de preços para continuar entregando o produto e o trâmite burocrático para a autorização do reajuste vem provocando o atraso.

A procuradora Marisa Gebara, da Secretaria Municipal de Negócios Jurídicos, explica que o contrato firmado com a empresa permite que ela peça o realinhamento. “Para concedê-lo, porém, precisamos fazer uma tomada de preços”, declara.

Gebara afirma que, após a consulta, foi autorizado um aumento de R$ 0,67 no preço do quilo de patinho fornecido à prefeitura. “Outra opção seria fazer uma contratação de emergência, mas a pesquisa de mercado apontou que a mercadoria sairia mais cara do que eles estão pedindo”, relata.

Segundo ela, o processo já foi encaminhado para a Secretaria Municipal de Administração e deve ser concluído até a próxima semana. Após a publicação do aditivo de preço no Diário Oficial do Município (DOM), o restabelecimento da entrega é imediato.

A diretora do Departamento de Merenda Escolar da Secretaria Municipal da Educação, Rosângela Maria Rosa Tendolo, afirma que a prefeitura tem aumentado o repasse de carne de frango e salsicha às escolas e creches para suprir a ausência da carne moída.

Ela conta que a entrega dos itens perecíveis que compõem a merenda escolar é feita semanalmente. “Assim que recebemos os produtos, encaminhamos para as instituições. Por isso, não temos um estoque grande”, destaca.

De acordo com Tendolo, a prefeitura compra semanalmente de 2,8 mil a 3,2 mil quilos de carne moída. Além das 71 escolas e creches municipais, o produto é repassado a 48 escolas estaduais e 22 creches conveniadas.

A diretora explica que a Secretaria de Educação estuda acrescentar em sua lista de compra carne vermelha em tiras para evitar problemas semelhantes no futuro. “Seria uma opção a mais”, comenta.

Reclamação

O presidente da Associação das Entidades de Assistência e Promoção Social de Bauru (Aeaps), Paulo Sérgio Canalli, afirma entender os trâmites burocráticos que suspenderam o fornecimento de carne moída, mas reclama da falta de planejamento da prefeitura. “Ela deveria ter feito uma previsão para contar com o produto em estoque até que esses problemas burocráticos fossem resolvidos. A falta de carne nas entidades, em especial nas creches, prejudica a alimentação das crianças”, opina.

Canalli, que é presidente da Creche e Berçário São Francisco de Assis, conta que a entidade teve que recorrer a doações para continuar fornecendo carne moída às crianças assistidas pela instituição.

A nutricionista Sylvia Tosi explica que a ausência de carne vermelha na alimentação de crianças e adolescentes é preocupante apenas se o problema persistir a longo prazo. “O frango, a salsicha e o peixe são fontes de proteína, mas o nosso organismo, de forma geral, acumula melhor o teor de ferro contido na carne vermelha. É por isso que a sua presença na merenda escolar é importante”, analisa.