Após o fracasso em mais uma rodada de negociação salarial com o Conselho de Reitores das Universidades Paulistas (Cruesp), professores e funcionários do câmpus da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Bauru decidiram ontem entrar em greve por tempo indeterminado. Também já haviam iniciado greve anteontem os alunos das Faculdades de Engenharia e de Arquitetura, Artes e Comunicação (Faac), somando-se aos da Faculdade de Ciências.
Na quinta-feira, o Fórum das Seis - entidade que congrega os sindicatos de docentes e funcionários da Unesp, Universidade de São Paulo (USP) e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) - participou da segunda reunião com o Cruesp desde que foi iniciada a campanha salarial da categoria. Contudo, o conselho não ofereceu nenhuma contraproposta e manteve a de 0% de reajuste salarial, enquanto a reivindicação é de 16%.
“O Cruesp sugeriu que voltássemos a discutir política salarial em novembro, alegando alto nível de comprometimento com a folha de pagamento das universidades. O Fórum das Seis tem uma visão totalmente diferente, já que a arrecadação de ICMS cresceu nos quatro primeiros meses deste ano, período em que geralmente há uma baixa arrecadação”, diz o professor Milton Vieira do Prado Júnior, presidente da sede central da Associação dos Docentes e Servidores da Unesp (Adunesp).
De acordo com ele, em função de tudo isso e da perspectiva de aumento da arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para o segundo semestre, o Fórum das Seis considera totalmente viável discutir reposição salarial em maio, mês da data-base da categoria. Para o próximo dia 28 está marcada outra rodada de negociação com o Cruesp, quando o movimento grevista será novamente avaliado.
De acordo com Prado Júnior, ontem também aderiu à greve o câmpus da Unesp de Araraquara, sendo que nas unidades de Marília, Rio Claro e Ilha Solteira o movimento já havia sido instalado. Em Bauru, o aluno do 3.º ano do curso de jornalismo Reynaldo Turollo Júnior diz que a greve estudantil visa melhorias gerais no câmpus local e do ensino público.
Segundo o presidente da central da Adunesp, para junho estão marcadas negociações entre Fórum das Seis e Cruesp visando discutir os outros pontos da pauta de reivindicações de docentes e funcionários. Entre elas, a expansão das vagas nos câmpus e a reforma universitária.
Quanto à principal reivindicação, de 16% de reposição salarial, Prado Júnior faz algumas observações. “Na verdade, nós estamos pedindo reposição de perdas, e não aumento salarial. Nós temos um índice histórico que é uma perda de poder aquisitivo no salário dos professores desde a autonomia das universidades, em 1988. Essa perda histórica é de 49% do poder aquisitivo”, afirma.
Segundo Prado Júnior, comparando o salário atual de professores com a mesma carga horária de uma universidade pública com uma instituição privada, chega-se a uma defasagem superior a 50% na escola pública.
A diretora do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp) em Bauru, Elaine do Amaral Godoi, diz que para a próxima quarta-feira está marcada uma assembléia que definirá a deflagração ou não de greve na USP. O indicativo é de que o movimento seja instalado.
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Privado
Enquanto docentes e funcionários da Unesp, USP e Unicamp lutam por 16% de reposição salarial, o Sindicato dos Professores de Bauru (Sinpro) informa que foi aprovado, em assembléia no último dia 15, o acordo coletivo das instituições privadas de ensino superior.
Segundo o presidente da entidade, Sebastião Clementino da Silva (o Macalé), o reajuste salarial para 2004 será de 7,48% (resultante da soma da reposição da inflação na data-base da categoria, mais 1,05% que seria pago em agosto deste ano, referente ao acordo do ano passado).
De acordo com o Sinpro, o reajuste será pago da seguinte forma: 3% retroativo a março deste ano, e o restante a partir de junho. O salário de julho e 1/3 das férias já terão os 7,48% completos.