30 de maio de 2026
Auto Mercado

Extintores de carro mudam em 2005

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 4 min

Um extintor com maior poder de combate a incêndios começará a fazer parte da frota nacional no início do próximo ano. Trata-se de uma determinação do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), que fixou novas especificações para o equipamento através de resolução.

Os atuais eliminam princípios de incêndios das classes B (combustíveis líquidos, como óleo e gasolina) e C (materiais elétricos energizados (bateria, fios, etc.). Com a medida, que entrará em vigor a partir de 1 de janeiro de 2005, todos os carros sairão de fábrica com extintores com carga de pó ABC, capaz também de apagar fogo da classe A (materiais sólidos combustíveis, como pneus, painéis, tapetes e estofamentos).

No entanto, a resolução do Contran não obriga todos os proprietários de veículos em circulação equipados com extintores BC a alterá-los, já em 2005, pelos modelos ABC. Isso porque a substituição dependerá das validades da carga e do teste hidrostático, feito a cada cinco anos para avaliar as condições da carcaça do cilindro.

Se o consumidor possuir um extintor usado, cuja recarga ou troca são obrigatórias todos os anos, precisará efetuar, pelo menos, a mudança do pó para o tipo ABC. Neste caso, o dono do carro terá de comprar um cilindro novo, já do modelo ABC, somente na data de vencimento do teste hidrostático.

O raciocínio é quase o mesmo para quem conta com um extintor novo no automóvel. A única diferença é que a necessidade da recarga pode demorar mais, pois nestes modelos os intervalos para a execução do serviço são de três anos. Já a troca do cilindro permanece inalterada, devendo ser executada levando em conta o teste hidrostático.

Assim, basta fazer “continhas” simples para saber como e quando proceder as recargas ou trocas. Quem adquiriu um extintor usado em 2004, precisará recarregá-lo com o pó ABC em 2005, mas substituir o cilindro apenas em 2009; já os que compraram um novo este ano terão de providenciar a recarga em 2007 e adquirir o equipamento adaptado à resolução do Contran em 2009.

O novo extintor, que terá garantia de cinco anos e não poderá ser recondicionado, já foi testado pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e pela Associação Brasileira das Indústrias de Equipamentos contra Incêndio (Abiex), que comprovaram sua eficiência mesmo quando o fogo atingiu grandes proporções em um tanque com combustível ou em um amontoado de peças de carro.

Para o engenheiro Carlos Eduardo Pini Leitão, coordenador da Câmara Temática de Assuntos Veiculares do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), a maior capacidade extintora é um dos principais motivos que justificam a adoção do extintor ABC. “Além da segurança pelo uso exclusivamente de equipamento que contenha a marca de conformidade do Inmetro”, acrescenta.

O extintor de incêndio é considerado equipamento obrigatório do automóvel. Por isso, rodar sem ele ou com o mesmo ineficiente ou inoperante, conforme o artigo 230 do Código Nacional de Trânsito, é considerada infração grave passível de multa de R$ 127,69, retenção do veículo e adição de cinco pontos no prontuário do motorista.

____________________

Manuseio

Para o capitão Geraldo Aparecido Delmonte, do Corpo de Bombeiros de Bauru, tão importante quanto informar-se sobre o novo extintor é saber operá-lo para enfrentar o fogo. Ele ressalta que o segredo do sucesso no combate aos incêndios veiculares está na agilidade da execução dos procedimentos necessários. “A chave está no tempo gasto entre a identificação do foco e o início de seu combate”, enfatiza.

O capitão explica que o passo inicial para ganhar agilidade nesses momentos é entender o funcionamento do extintor. Nesse sentido, a primeira providência é conhecer o local onde o cilindro é armazenado no veículo. Com ele em mente, o motorista deve pegá-lo, retirar o lacre, puxar a trava de segurança e empunhá-lo pelo suporte com o dedo no gatilho.

Na seqüência, continua o capitão, deve-se localizar o foco do incêndio e direcionar o jato de pó - o material acondicionado no cilindro - diretamente neste ponto fazendo pequenos movimentos de varredura.

“O condutor deve ter o cuidado de manter certa distância e não deixar que o pó ultrapasse a origem do fogo. O ideal é que se forme uma nuvem densa, pois o pó irá ocupar o lugar ao ar para diminuir a quantidade de oxigênio e, conseqüentemente, extingüir o incêndio por abafamento”, explica o bombeiro.

Além disso, Delmonte recomenda atenção redobrada se a origem do fogo estiver no capô dianteiro ou no porta-malas. Isso porque, dependendo da temperatura interna do compartimento, uma rápida abertura pode ocasionar uma explosão e envolver a pessoa em uma “língua” de fogo. “São locais que facilitam o acúmulo de gás quente, como o monóxido de carbono, que é altamente reativo com o oxigênio”, diz.

Por isso, o bombeiro orienta que a abertura destes locais seja feita de forma lenta e, simultânea, a uma pequena varredura com o extintor. Delmonte considera importante, ainda, o auxílio de outros condutores no combate ao incêndio. “Os que estiverem presenciando o fato devem nos acionar o mais rápido possível e até auxiliar o dono do veículo envolvido a apagar o fogo”, sustenta.