25 de maio de 2026
Auto Mercado

Fim do 'gato por lebre'

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 2 min

O comerciante bauruense Maurício Magrini, proprietário de um estabelecimento especializado na venda de extintores, comemorou as novas determinações do Contran. Para ele, a medida acabará com o comércio ilegal dos equipamentos, crime que já virou “praga” no País, e não beneficia quem trabalha honestamente no ramo.

Atualmente, há no mercado dois tipos de extintores: os novos e os recondicionados. Ambos diferenciam-se entre si, além do visual e do preço - os primeiros são mais caros e custam quase o dobro dos usados -, pelo tempo das recargas. Enquanto os fabricantes de um “zero quilômetro” fornecem garantia de três anos, nos recondicionados a recarga é obrigatória após um ano.

Magrini explica que pessoas de má-fé utilizam-se do desconhecimento de tais fatos pelos motoristas para amedrontá-los de que extintor irregular gera multa e, assim, obter lucros escusos vendendo os extintores a preços muito baixos. “Estes baseiam-se no argumento falso que todo acessório tem de ser recarregado ou trocado anualmente. Mas os únicos que precisam disso são os recondicionados”, frisa.

O comerciante revela não ser raro o fato de donos de automóveis adquirirem um extintor usado pensando tratar-se de um novo. Por isso, para descobrir quando ele foi fabricado, basta olhar embaixo do equipamento. “Nele devem estar gravados o ano em que foi produzido, a marca do Inmetro e a inscrição NBR seguida de um número”, orienta.

Por essa razão, Magrini recomenda atenção tanto no ato da compra quanto na recarga deste equipamento. “A pessoa deve saber olhar para verificar o vencimento da carga e do cilindro para não ser enganada”, enfatiza Maurício. Mas como as novas especificações do Contran terão o poder de acabar com estes problemas? Para Magrini, o simples fato de proibir o recondicionamento dos usados será suficiente.

“Lutaremos em igualdade de condições, pois quem quiser atuar no ramo terá de adquirir extintores diretamente dos revendores ou fábricas, condição que impedirá a prática de valores abaixo dos de mercado”, frisa. “É algo que, definitivamente, moralizará o setor”, complementa Valdeir Magrini, pai de Maurício.

Nem mesmo as conseqüências negativas da resolução, o inevitável encarecimento das recargas e dos próprios extintores, desanimam o comerciante. Maurício estima que as recargas para o pó ABC custarão pelo menos o dobro das atuais, enquanto o novo extintor deve chegar ao mercado cerca de 30% mais “salgado”.

“O consumidor vai pagar mais mesmo, mas é uma questão de custo benefício, pois ele terá um equipamento muito mais confiável e seguro em mãos”, pondera Magrini.