Quando se efetuam revisões nos automóveis, raramente os motoristas preocupam-se em checar o estado do sistema elétrico. A explicação para este fato é que a maioria de seus componentes não possui vida útil específica, tornando complicada a prática da manutenção preventiva. Mas não é por isso que se deve relegá-lo ao descaso, pois dele dependem vários itens de segurança do veículo.
“Infelizmente, muitos problemas na parte elétrica só são detectados quando eles ocorrem, pois a duração de seus componentes depende da forma como eles são usados e, principalmente, como a manutenção é ou foi executada”, destaca Lourival Ortiz de Camargo, instrutor automotivo da unidade bauruense do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai).
Ele cita um exemplo de como a durabilidade pode variar entre os itens elétricos. “Uma lâmpada do farol pode demorar cinco anos para queimar se o carro é utilizado prioritariamente de dia, mas o desgaste será muito maior se rodar mais à noite. Neste caso, e em muitos outros, não há como estabelecer a vida útil pela quilometragem ou pelo tempo”, esclarece Lourival.
Apesar disso, o instrutor destaca não ser impossível executar a manutenção preventiva no sistema. Isso porque há muitos componentes, cujo funcionamento depende de itens elétricos, que podem ser verificados. “Com poucos cuidados o próprio dono do automóvel pode executar uma pequena revisão no sistema”, enfatiza.
Neste caso, Lourival recomenda checagem quinzenal dos terminais da bateria, das luzes de freio, dos faróis e da marcha à ré. “Nas luzes basta ver se elas estão acendendo normalmente. Já nos terminais veja se não há oxidação junto aos pólos da bateria, como a formação de uma camada esverdeada endurecida muito conhecida por zinabre”, orienta.
Ainda sobre as luzes, o instrutor frisa que mesmo não tendo como adivinhar quando elas queimarão é possível prevenir-se de imprevistos. “Se apenas uma dos faróis ou freios queimar não deixe de trocar as duas, pois a outra não demorará a apresentar o mesmo problema porque a vida útil é semelhante. Esta é uma forma barata de precaver-se e garantir a segurança ao rodar”, argumenta.
Entretanto, Lourival adverte que neste momento é fundamental respeitar a mesma potência das lâmpadas, principalmente a dos faróis. “Ao optar pelas de potências superiores às originais, o dono do carro poderá ter prejuízo dobrado. Isso porque estas sobrecarregam o sistema, podendo causar até o derretimento do bloco de sustentação do acessório”, frisa.
Já sobre a bateria Lourival destaca que o componente necessita de muito mais atenção em dias frios, como os característicos das estações de outono e inverno. Ele explica que nestes climas os automóveis têm mais dificuldade para dar partidas, pois o motor fica mais “duro” para girar em razão do aumento da viscosidade do óleo lubrificante. “Isso sobrecarrega a bateria”, alerta.
Desta forma, acrescenta o instrutor, é imprescindível que o nível do fluido da bateria, no caso das que exijam este procedimento (as não-seladas), seja analisado mensalmente. “Bem cuidadas, podem durar entre dois e três anos”, diz. Entretanto, Lourival salienta que, independentemente do modelo, o componente “avisa” quando tem problemas. Partida lenta e difícil é o principal indício de bateria no fim da vida útil.
A inatividade também faz mal à bateria. Por isso, evite deixar o veículo na garagem por mais de uma semana. “Mesmo parado, há componentes do automóvel que consomem gradualmente sua energia até descarregá-la, o que fatalmente irá ocorrer após este período”, informa Lourival.
Desconectá-la dos cabos nem sempre é a melhor solução para fugir deste problema, principalmente se o veículo contar com vidros elétricos, alarmes ou relógios nos painéis. “É muito comum que tais sistemas se descalibrem”, conclui o instrutor do Senai.