08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

TRABALHO ESCRAVO E TRABALHO INFANTIL


| Tempo de leitura: 2 min

São completamente diferentes. Trabalho escravo é aquele executado por qualquer pessoa, adulto ou criança, sem receber nada em troca. Muitas vezes até as pessoas se obrigam a aceitá-lo, em troca de comida e moradia, via de regra, em condições precárias, está totalmente errado.

Já o trabalho infantil, é outra coisa e cada caso é um caso e deve ser avaliado pelas autoridades para proteger a infância. Não deve, de maneira alguma, colocar no mesmo prato da balança, aquele trabalho do filho que acompanha o pai, ou da filha que acompanha a mãe, que constitui, ao mesmo tempo, um trabalho, um lazer e um aprendizado. O pai carpinteiro, o pai peão, a mãe artesã, o alfaiate, a costureira, o chacareiro-verdureiro, que encaminham os filhos para um trabalho honesto e produtivo, não podem ser considerados exploradores de seus filhos, por preferir estar com eles, ensiná-los no caminho do trabalho, ao invés de soltá-los na rua, para que aprendam a roubar bolsas de velhinhas incautas e velhinhos trôpegos, aproveitando-lhes a fraqueza, trazida pela idade. Porque com esse dinheiro ilicitamente ganho, que nem têm como explicar em casa, vão comprar cola de sapateiro para cheirar, bebida, para aprenderem a se embriagar, maconha para começarem o aprendizado de se drogar e por aí afora. Então é preciso ponderar, usar o bom senso.

Soube de uma professora que “proibiu” um seu aluno de ajudar o pai e aconselhou-o a desobedecer esse pai que o preparava para um trabalho honesto e valioso, que inclusive poderia lhe dar prêmio por capacidade de bom desempenho. Acho que nesse caso, deveria haver uma lei que obrigasse a professora (professora!) a ter bom senso e não falar uma besteira desse tamanho e criar mal-estar entre um pai e seu filho, que se relacionavam tão bem, a ponto de o filho sempre acompanhar o pai, de muito bom grado, sendo para ele esse trabalho um lazer.

Houve também o caso da verdureira cujo filho a ajudava no cultivo da horta e depois vinha com ela ao centro da cidade para acompanhá-la em seu trabalho de vender as verduras, porque a mãe não tinha com quem deixá-lo em casa, depois do horário da escola.

Vejam bem, cada caso é um caso e é para isso que existe um magistrado de muito valor aqui em Bauru, que cuida desses assuntos, o qual, acredito eu, coloca o bom senso acima de tudo, pois nada supera o bom senso: bom é o que dá bom resultado e mau o que dá mau resultado, como leis absurdas que, mal aplicadas, ao invés de proteger os menores, empurra-os para a senda do crime, desde a infância propiciando-lhes cursar uma “escola” que vai ensinar a serem marginais, ao invés de cidadãos úteis a si mesmos, e ao próximo. (Isolina Bresolin Vianna - RG 3.027.947)