10 de julho de 2026
Política

Falta de ética afasta jovem das urnas

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

Corrupção, denúncias de irregularidades, discussão de baixo nível e falta de ética na política são fatores que desestimulam os jovens já em idade de votar a comparecer às urnas. Conquista que data de 1988, o voto é facultativo a partir dos 16 anos e obrigatório a partir dos 18, mas o que se percebe é que a maioria dos jovens só procura mesmo o Cartório Eleitoral para providenciar o título devido à necessidade de apresentar o documento em matrícula de faculdade e solicitação de emprego.

Essa constatação fica explícita no número apresentado pelos três Cartórios Eleitorais de Bauru ( 23ª, 300ª e 387ª Zonas Eleitorais), que revela pouco mais de 2 mil inscrições para pedido de título eleitoral nos últimos três meses de jovens na faixa de 16 a 18 anos.

Isso significa cerca de 1% do eleitorado de Bauru, que segundo dados do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) é de 212 mil eleitores.

O prazo para pedir o documento - para quem tinha interesse em votar em outubro deste ano - expirou no último dia 5. “O que a gente percebe é que os garotos e garotas que procuraram o nosso cartório estavam interessados em pedir o título para se matricular em universidade”, conta José Carlos Colhado, técnico judiciário da 23ª Zona Eleitoral de Bauru.

Sem opções

Embora estejam em pleno período de formação de personalidade, os jovens de 16 a 18 anos têm opiniões próprias sobre o mundo político. Acompanham os tumultuados Poderes Executivo e Legislativo à distância, mas o suficiente para saber que a coisa não anda bem por lá.

O estudante Fernando Garcia, 17 anos, justifica que não tirou o título de eleitor porque não enxerga bons candidatos para votar na eleição municipal deste ano.

“Os candidatos a prefeito de Bauru não me empolgam. Não vejo em nenhum deles capacidade para administrar a cidade. Mas se a eleição de outubro fosse para a Presidência da República, eu teria tirado o título para votar”, diz, por entender que o cargo tem maior importância em relação ao Executivo local.

Na avaliação de Garcia, as manchetes diárias que ocupam espaço na mídia denunciando escândalos de corrupção envolvendo políticos de todas as regiões do País também são fatores desestimulantes. “Até vejo que tem gente honesta, mas o número de pessoas desonestas parece que é maior.”

Sua colega de escola, Taina Wieck, 17 anos, reforça o discurso. Ela também não tirou o título de eleitor este ano.

“O meio político é muito desonesto. O que mais se ouve falar é em corrupção, desvio de verbas e de dinheiro. Por esse motivo, só vou tirar o título aos 18 anos. Quem sabe até lá, a coisa melhora”, comenta, demonstrando um fio de esperança a curtíssimo prazo.

O peso da responsabilidade em escolher bons nomes para a ocupação de cargos eletivos também é outro fator relevante entre jovens de 16 a 18 anos que ainda não procuraram o Cartório Eleitoral para tirar título.

Aline Alcantara, 17 anos, enquadra-se nesse perfil. “Primeiro, moro em Piratininga e não quero votar em ninguém de lá. Segundo, eleger um candidato é muita responsabilidade. Vou esperar para assumir essa responsabilidade mais tarde”, diz.

Os nomes dos pré-candidatos que estão se apresentando para a disputa da prefeitura e da Câmara Municipal também são vistos com desconfiança pelos estudantes. “Bauru está defasada de candidatos. Sinceramente, não tenho interesse em nenhum desses que estão surgindo”, comenta Monique Camillo.