O sistema de passe-integração de Bauru, previsto para entrar em vigor no próximo dia 3 de junho, já gera ansiedade, expectativa e dúvidas entre a população. Hoje, quem utiliza dois ônibus para chegar ao destino final paga duas tarifas. Com o novo sistema, será diferente.
A partir de 3 de junho, a tarifa simples passará de R$ 1,45 a R$ 1,50. Quem utilizar a integração pagará uma tarifa adicional de R$ 0,40, totalizando R$ 1,90. A economia será de R$ 1,10.
Para que o sistema entre em operação, os 234 ônibus do transporte coletivo de Bauru tiveram de ser equipados com catracas eletromecânicas, máquinas validadoras e antenas de rádio-freqüência. A parafernalia permitirá a cobrança com a bilhetagem eletrônica.
Para fazer o transbordo através do passe-integração, o passageiro utilizará um cartão magnético, batizado de Bauru Integrado, que também servirá para cobranças de tarifas simples. Quem quiser pagar com dinheiro ou passe de papel, entretanto, poderá fazê-lo normalmente.
Todos os funcionários das três empresas operadoras do transporte coletivo foram treinados e os equipamentos estão em período de teste. O treinamento será reforçado na última semana de maio.
“Tem funcionado bemâ€, afirma o presidente da Associação das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Bauru (Transurb), José Antônio Jacomelli.
A partir de amanhã, deve ter início a campanha de divulgação do sistema através da mídia e da distribuição de gibis explicativos. Nos ônibus, os passageiros também estão recebendo orientação dos cobradores - já preparados para isso.
Atualmente, aproximadamente 400 mil passageiros utilizam mensalmente dois ônibus para chegar ao destino final. Isso representa 15% do total de usuários que o sistema transporta por mês.
A expectativa é de que esse número aumente já que muitas pessoas hoje deixam de utilizar ônibus e percorrem trechos a pé ou em bicicleta para evitar o pagamento de duas tarifas.
“Deve aumentar a quantidade de usuários porque as pessoas devem retornar ao sistema. A economia deve atrair as pessoas que abandonaram os ônibus. E, quem sabe, mais empresários também devem aderir ao vale-transporteâ€, avalia Waldomiro Fantini Júnior, diretor de Transportes da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb).
Inicialmente, a arrecadação deve cair já que o preço de duas viagens integradas será menor. Entretanto, espera-se também que, com a adesão de mais pessoas ao transporte público, a arrecadação aumente gradativamente.
“Imaginamos que 8% da arrecadação deve cair, pelo menos no começo. Depois, deve aumentarâ€, expõe o diretor de Transportes da Emdurb.
Ele explica que o transporte em Bauru opera com déficit. O acumulado é de cerca de R$ 6 milhões. O valor refere-se à diferença entre os custos do sistema e o valor arrecadado com a venda de passagens.
Os novos valores devem continuar impactando a Câmara de Compensação Tarifária (CCT) que, em média, acumula mensalmente déficit de R$ 90 mil.
Alvo
A novidade já é alvo de críticas. Tanto positivas quanto negativas. Se por um lado setores criticam a forma como o sistema está sendo implantado, sugerindo tarifa única, por outro lado há muitos elogios.
É o caso dos cobradores, que dizem que a bilhetagem eletrônica é eficiente e de fácil operacionalização. Além disso, os funcionários entrevistados pelo JC nos Bairros mostram tranqüilidade em relação a seus empregos.
É que o sistema é operado em parceria com os funcionários. Além disso, o acordo firmado entre o Ministério Público (MP), a Transurb e a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) garante que os 400 cobradores não serão demitidos em decorrência da utilização de máquinas.
â€œÉ importante frisar que o cobrador permanece. Foi previsto e não há nenhum perigoâ€, frisa Waldomiro Fantini Júnior, diretor de Transportes da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb).
Sobre a possibilidade de tarifa única, Waldomiro argumenta que não seria a melhor alternativa. “Acho injusto forçar todos a pagar mais. Na forma que adotamos, aquele que pega dois ônibus está tendo desconto e pagará a mais apenas a taxa de integração de R$ 0,40. Unificando, essa diferença seria paga por todosâ€, expõe.
Na opinião dele, o sistema de bilhetagem eletrônica é mais avançado que o de terminal de ônibus, cogitado no início das discussões do passe-integração.
“Com o terminal, seríamos obrigados a levar todo o sistema de transporte para o terminal. Com o sistema aberto, as pessoas podem fazer a integração em qualquer ponto em que as linhas se cruzam. Não há restriçãoâ€, argumenta Waldomiro.
Além disso, o preço para implantação de um terminal seria alto. Seria necessário desapropriar uma grande área no Centro.
A bilhetagem eletrônica requer adaptação inicial e pode gerar dúvidas no começo, mas é considerada mais segura.
“O que nós queremos é que dentro de muito pouco tempo os usuários do transporte coletivo de Bauru estejam utilizando o cartão inteligenteâ€, enfatiza José Antônio Jacomelli, presidente da Associação das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Bauru (Transurb).