09 de julho de 2026
Regional

Barraca vira ponto de informação na rodovia Ibitinga-Tabatinga

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

O jovem Carlos Eduardo do Valle, 22 anos, uniu o útil ao agradável. Escolheu um trabalho que também fosse o seu lazer. Instalou uma banca de frutas no trevo de Ibitinga-Tabatinga (125 quilômetros a Noroeste de Bauru). Com um guarda sol de praia, ele se protege dos raios solares enquanto aguarda os clientes. É bem verdade que a maioria dos motoristas que param no trevo procura por informações, mas entre uma dica e outra, ele consegue comercializar, em média, 200 melancias em três dias.

O mais importante para Valle, no entanto, é que as vendas ultrapassam o salário que recebia como funcionário de uma empresa de bordados na cidade de Ibitinga. “Comercializar frutas rende um salário médio de R$ 1 mil, fora as despesas. Eu ganhava R$ 500,00 como empregado e ainda tinha que cumprir horário e agüentar o mau humor do chefe.”

Para atrair o consumidor e viajante, Valle colocou à venda suco de laranja, o coco gelado, a mandioca e a poncã. “Os viajantes param para tomar um suco e acabam adquirindo algo mais.”

Ele explica que trabalha há um ano com frutas e comercializa aquelas que estão na época da safra. “Fico sabendo onde estão as plantações e vou pessoalmente conferir a qualidade. Comercializo melancia, abacaxi e alguns legumes.”

O preço, ele garante que é muito melhor do que os de mercado. “A melancia maior que eu vendo por R$ 4,00 é vendida no comércio por R$ 6,00.”

A chuva e o frio são sinônimos de queda na vendas. “Para mim é difícil ficar parado aqui com chuva e no frio, poucas pessoas consomem suco ou coco gelado.”

Como os demais vendedores de beira de estrada, Valle teme pela própria segurança. “Minha preocupação são os ladrões. Nunca aconteceu nada de ruim comigo, mas fico esperto na observação.”

O vendedor de melancias concorda que se montasse uma banca de informações e cobrasse por elas faturaria mais. “Os motoristas não sabem para onde ir, qual estrada seguir e param aqui para pedir informações. Com isso, já sei tudo sobre as estradas da região.”

Entre um cliente e outro, Valle observa a imprudência dos condutores. “Eles trafegam em alta velocidade e não respeitam a sinalização. Eles param no meio da pista quando ficam na dúvida e ultrapassam em locais proibidos. Eu fico com medo que eles subam na guia e me atropelem.”