08 de julho de 2026
Saúde

Glaucoma afeta 1 milhão no Brasil

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 4 min

A Associação Brasileira dos Portadores de Glaucoma (Abrag) comemora, na próxima quarta-feira (26/5), o Dia Nacional de Combate à Cegueira por Glaucoma. O objetivo é divulgar informações sobre a doença, que afeta entre 2% e 4% da população no mundo. Só no Brasil são estimados 1 milhão de portadores da patologia.

De acordo com o oftalmologista Fabiano Alves Neves, a principal característica do glaucoma é o aumento da pressão intraocular. Ela ocorre quando há um desequilíbrio entre a produção e a drenagem de um líquido (humor aquoso) que corre entre a íris e a córnea.

O aquoso é produzido continuamente pelo organismo. Ele flui pelas estruturas dos olhos hidratando e nutrindo as células. Depois de percorrer seu caminho, ele é drenado num tecido esponjoso chamado malha trabecular que fica exatamente no ângulo onde a íris encontra a córnea.

Quando a produção do líquido aumenta ou quando essa malha não funciona adequadamente, uma quantidade exagerada do humor aquoso acumula-se no interior dos olhos, causando um aumento da pressão intraocular.

“Não se sabe exatamente porquê, mas esse aumento da pressão intraocular danifica as células que compõem o nervo óptico (responsável por transmitir a imagem captada pelos olhos ao cérebro). Com o tempo, essas células começam a morrer, o que causa uma perda progressiva da visão”, explica.

Segundo o médico, essa perda começa pela chamada visão periférica. A pessoa enxerga normalmente o que está na frente, mas não consegue perceber imagens e movimentos nas laterais. Sem tratamento, a lesão ao nervo óptico aumenta, reduzindo cada vez mais o campo de visão.

“Em casos mais avançados da doença, a pessoa só enxerga o que está à sua frente, como se estivesse olhando por dentro de um tubo. Se não for tratado, o glaucoma pode levar à cegueira”, alerta.

O médico oftalmologista Marcelo Crivellari Creppe comenta que existem diversos tipos de glaucoma. O mais freqüente é o chamado glaucoma de ângulo aberto, que acomete principalmente pessoas acima dos 40 anos.

“O agravante é que este tipo da doença não apresenta sintomas. Dados norte-americanos indicam que 50% dos portadores não sabem que têm a patologia. Quem não sabe não trata e vai perdendo progressivamente a visão periférica sem perceber. Quando percebe, a acuidade visual já está bastante comprometida”, adverte.

Segundo os médicos, o glaucoma pode ser facilmente controlado com o uso de colírios ou procedimentos cirúrgicos. Mas uma vez lesionado o nervo óptico, o percentual de visão que já foi perdido não pode ser revertido.

Diagnóstico

A única forma de prevenir a perda visual causada pelo glaucoma, de acordo com os especialistas, é fazer um diagnóstico precoce. A detecção só pode ser feita por especialistas, a partir de exames clínicos específicos.

Por isso, o consenso médico determina que todas as pessoas devem fazer uma avaliação oftalmológica pelo menos uma vez por ano. A avaliação leva em conta fatores de risco e resultados dos exames.

Um dos exames é feito por meio do tonômetro de ar - um aparelho que dispara um jato de ar na direção dos olhos para medir a pressão. A sensação é semelhante a de um sopro.

Outro teste realizado comumente é a campimetria, que permite ao médico avaliar se o glaucoma já afetou o campo visual. O teste é realizado numa sala escura. O paciente coloca o queixo sobre um apoio e olha fixamente para uma luz bem à sua frente. Cada vez que ele vê outra luz acender, ele aciona um botão. Ao final do exame, o médico saberá qual o alcance da visão periférica.

Por fim, o paciente é submetido ao exame de fundo de olho (oftalmoscopia), que permite ao profissional examinar o nervo óptico através da pupila do paciente. A coloração, formato e disposição dos vasos sangüíneos indicam se há ou não algum dano.

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Fatores de risco

Os médicos oftalmologistas Fabiano Neves e Marcelo Creppe salientam que qualquer pessoa pode ter glaucoma no decorrer da vida e que só uma avaliação médica periódica pode detectar a doença. No entanto, eles destacam alguns fatores que aumentam os riscos para o desenvolvimento da doença.

“Sabe-se que negros e asiáticos (especialmente os japoneses) estão mais predispostos ao glaucoma de ângulo aberto, que não tem sintomas”, comenta Creppe.

Pessoas que têm casos da doença na família também têm seus riscos aumentados. O mesmo vale para aqueles que apresentam outras doenças, como o diabetes, os míopes, os que usam medicação corticóide e os que já sofreram alguma lesão ocular prévia.

“Fora esses fatores, o risco para glaucoma aumenta com a idade. Cerca de 2% a 4% da população com mais de 40 anos apresenta a doença. Acima dos 60 anos, a chance de desenvolver a patologia aumenta em seis vezes”, destaca Neves.

Segundo os médicos, como a maioria dos casos não apresenta sintomas, é muito importante fazer uma consulta com o oftalmologista regularmente. Os exames que detectam o glaucoma fazem parte da avaliação regular nos consultórios.