08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Greve na unesp


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A Universidade Estadual Paulista (Unesp) passa por mais um momento de crise. Mais um porque não se trata da primeira greve que se faz necessária para garantir aos professores, funcionários e alunos a valorização do ensino público de qualidade.

Os alunos da Faculdade de Ciências (câmpus de Bauru) entraram em greve na segunda-feira (dia 17/05/04), sendo seguidos pelos estudantes da Faculdade de Artes, Arquitetura e Comunicação e Faculdade de Engenharia, na quarta-feira da mesma semana. No dia seguinte, os professores e funcionários fizeram uma paralisação e, na sexta-feira (dia 22/05/04), foi decidido em assembléia a greve deste segmento. Em outras unidades da Unesp o mesmo vem ocorrendo.

Os estudantes vêm desde o começo do ano fazendo manifestações, paralisações (como o curso de pedagogia, que ficou duas semanas paralisado por falta de professores em regime de dedicação integral) e greves como a do curso de química (28 dias em greve por falta de laboratórios).

Nesse período, o reitor, senhor Trindade, pouco se manifestou e quando o fez foi para dizer que o problema é pontual e para dar números distorcidos em relação à contratação de docentes.

É bom que se explique que as contratações que a Reitoria vem fazendo são para professores conferencistas, que não atendem pesquisa, extensão e mesmo para o ensino é precário, pois os docentes contratados nesse regime não completam sequer um semestre letivo.

No caso da greve dos estudantes, as reivindicações são legítimas: infra-estrutura, contratação de docentes qualificados e que atendam o tripé da universidade (ensino, pesquisa e extensão), retomada das bolsas de extensão (que foram cortadas e que envolvem projetos que atendem a população), moradia estudantil, restaurante universitário etc.

A expansão de vagas é importante, mas não podemos permitir que ela seja feita de maneira irresponsável, sem condições de sustentar os cursos já existentes e os novos que são propostos.

Toda a população deve entrar nessa luta pois a universidade está sendo sucateada e aqueles que ainda não tiveram acesso a ela terão cada vez menos chances de chegar ao ensino gratuito de qualidade. Aqueles que estão nas universidades particulares devem pensar que é por ações administrativas irresponsáveis que não está garantido a eles o ensino superior público e aqueles que estão nas universidades públicas devem pensar no futuro destas instituições. Afinal, porque queremos a universidade pública? Não se trata apenas da gratuidade do ensino, mas a qualidade, renome que essas instituições têm e que garantem espaço no mercado de trabalho, formação crítica e que pode alterar os rumos da sociedade como um todo. Quantos mais vão conseguir ter esse “privilégio”? Quantas gerações mais vão poder usufruir o ensino público? Pelo quadro que temos, que já não garante a milhares de jovens, nem mesmo a nossa e o que diremos então das próximas... (Ana Carolina Galvão Marsiglia, estudante -RG 25045769-6)