Dez estudantes da Universidade do Sagrado Coração (USC) deixaram os bancos escolares para amassar terra: eles estão trabalhando na instalação de uma área verde no Jardim Tangarás. A praça de 80 metros de extensão já foi demarcada graças à parceria firmada entre alunos, Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) e associação de moradores do bairro.
“Decidimos trabalhar no Tangarás por causa da falta de áreas de lazer e do chumbo”, explica a estudante do 4.º ano de jornalismo Katarine Miguel, que desenvolve o projeto junto com colegas dos cursos de publicidade, biologia, turismo e educação artística.
Todos eles acompanharam o drama das famílias que tiveram alguns de seus filhos contaminados pelo metal emitido pelo setor metalúrgico da Empresa de Baterias Ajax, desativada desde o início do ano de 2002. Recentemente, a Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) informou que a área habitada do bairro está livre do chumbo.
“O povo daqui já sofreu bastante (devido à contaminação). Agora temos de levantar o astral, por isso o projeto é interessante. Os moradores que residem em volta da área já estão ajudando”, explica o presidente da Associação de Moradores do Jardim Tangarás, Zaqueu Vieira da Silva.
Um dos vizinhos vai construir os bancos que serão instalados na praça. O material será custeado pelos comerciantes da região, ressalta Silva. “Os moradores precisam tomar consciência que a área é pública e que todos devem ajudar a manter. A prefeitura vai entrar com a mão-de-obra. Já mandamos uma equipe para fazer a limpeza”, explica o diretor do Departamento de Zoobotânica da Semma, Kazumi Kobayashi.
De acordo com ele, a secretaria também já delimitou a área e fornecerá as mudas que serão plantadas. “Queremos cercar a praça com árvores (para controlar o fluxo da água em dias de chuva)”, comenta Silva, que ainda aguarda parcerias para conseguir as lixeiras.
O cuidado com área verde entre a população do bairro vem sendo estimulada pelos próprios estudantes, que ministram palestras sobre educação ambiental e saúde pública para os moradores. Na primeira palestra, 30 pessoas compareceram. Entre elas estava Valdemar Bento, para quem a participação da vizinhança na manutenção da área está garantida.
“O local está mudando a cara do bairro e pode até valorizar as casas”, conclui a moradora das imediações Priscila Francieli da Silva. Ela aprova a iniciativa dos estudantes que, por meio uma disciplina, elaboraram a proposta, visitaram o bairro e procuraram a parceria da associação e da Semma.