30 de maio de 2026
Bairros

Centrinho realiza 1º implante de prótese total de articulação têmporo-mandibular

Da Redação
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O Centrinho fez ontem a sua primeira cirurgia de prótese total de Articulação Têmporo-Mandibular (ATM). A beneficiada foi a dona de casa Rosângela Barbosa, 38 anos, portadora de fissura labiopalatal (fenda na região da face). Moradora em Natal (RN), Rosângela viaja, há duas décadas, 3.083 quilômetros em busca de tratamento especializado em Bauru.

Entre as disfunções que apresenta, está a dificuldade de abrir e fechar a boca seguida de dor permanente e fala comprometida. As informações são da assessoria de imprensa do Centrinho.

Doada por um fabricante norte-americano (TJConcepts), o dispositivo - resultado direto de uma pesquisa internacional que começou em 1993 e que custaria quase R$ 30 mil na rede particular - deverá ser fundamental para melhorar a qualidade de vida da paciente, que já encarou uma maratona de 40 cirurgias corretivas, mas não se livrou da dor na região da face.

“Este é um degrau a mais que vou subir rumo à minha reabilitação definitiva. Muitas vezes, não conseguia comer por causa da dor”, contou antes da cirurgia .

A expectativa positiva é confirmada pelo cirurgião buco-maxilofacial Roberto Macoto Suguimoto, do próprio Centrinho. “Não só ela, mas todos nós estamos animados com essa nova ferramenta à qual tivemos acesso hoje (ontem)”.

A prótese é uma liga posicionada cirurgicamente para substituir, em caráter definitivo, o mecanismo de articulação têmporo mandibular. Em um extremo, fixa-se no crânio (região da chamada fossa mandibular) e, no outro, substitui a região final da mandíbula, devolvendo a sua função condilar (de movimento) e adaptando-se à anatomia original do paciente. A cirurgia ontem durou dez horas.

O Centrinho tem, hoje, 60 mil pacientes cadastrados – todos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Na fila de espera por uma prótese total de ATM estão, nesse momento, 20 pacientes inscritos de várias regiões do País para atendimento sem custos no hospital.

Macoto defende a inclusão da prótese na tabela do SUS como forma de democratizar o acesso ao dispositivo. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 60% da população mundial sofre de algum tipo de disfunção na articulação têmporo-mandibular.

Profissional do Centrinho desde 1987 e reconhecido como uma referência em sua área de atuação, Roberto Macoto ressalta: a disfunção na ATM pode ser descoberta em um exame odontológico de rotina.

A partir daí, o tratamento tem diversas possibilidades que vão desde a adoção de técnicas odontológicas corretivas convencionais (inclusive com relaxamento da mandíbula por meio de placas miorelaxantes – relaxadoras dos músculos da mastigação - e uso de aparelhos móveis de ortopedia maxilar) até a intervenção cirúrgica para os casos mais complexos como reposicionamento de menisco e, em último caso, a prótese total.

Produzida quase que integralmente em titânio (metal leve, ultra-resistente, com grande capacidade de se integrar ao organismo), o dispositivo começou a ser fabricado para valer em 1997, nos Estados Unidos.

No Centrinho, enxertos de clavícula e costela do próprio paciente já foram utilizados para tentar recuperar as funções articulatórias, mas a expectativa pela prótese total era grande por se tratar de uma evolução tecnológica e instrumental no processo de reabilitação, evitando transtornos como dor, limitação de movimento, cicatriz e infecções que podem ocorrer na área doadora (costela, etc) do paciente, nos casos de enxerto.

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O que é a disfunção

Disfunções na Articulação Têmporo-Mandibular podem ser causadas por traumatismos diversos, má oclusão dentária (mordida inadequada), mastigação errada (desde a infância), bruxismo (ranger dos dentes ao dormir), tumores e dentes tortos.

As múltiplas conseqüências do problema vão de dor localizada a sérias dificuldades de mastigação e respiração. Também podem ocorrer zumbidos no ouvido e diminuição da audição.