A família de Argemira Stoquini, 78 anos, foi a primeira a optar pelo cemitério vertical de Bauru, localizado na Vila Cardia, em detrimento dos convencionais. O ambiente claro e moderno, desprovido das imagens comuns que decoram os jazigos, ajudou na escolha.
“A aparência é totalmente diferente. O clima não é pesado. No cemitério normal parece que o sofrimento é maior”, diz Fátima Regina Hortêncio Bachega, nora de Argemira, que teve morte natural e foi sepultada no dia 1 de maio.
Na ocasião, a família ficou tão bem impressionada que Fátima pretende fazer o traslado do pai, sepultado em outro cemitério. Na próxima semana, uma outra família adotará o mesmo procedimento. Desde a inauguração, realizada no início de março, 78 das 414 gavetas de sepultamento já prontas foram vendidas no cemitério vertical, que fica ao lado do Cemitério da Saudade.
Cada gaveta, conhecida como lôculo, é de concreto maciço, tem cerca de 2,5 metros de comprimento e comporta até seis corpos, desde que haja um intervalo mínimo de três anos entre os sepultamentos. O prazo é necessário para que a decomposição do cadáver seja completa e seus restos mortais armazenados em uma urna menor, que ficará no fundo do espaço.
“Em cemitério convencional, o prazo (para decomposição) é de cinco anos. O vertical tem uma tubulação para a exaustão dos gases (por isso demora menos), que passam por filtros e telas. Não há contaminação do solo ou do lençol freático nem exala odor”, informa o gerente do cemitério vertical, Adriano Sassi.
Contradições
No entanto, na opinião de Mário Luiz, vizinho da necrópole, o local emitirá cheiro desagradável quando um número maior de gavetas estiverem ocupadas. “De madrugada já sinto (o odor que seria emitido pelo Cemitério da Saudade). Espero que não, mas acho que vamos sentir (o cheiro lançado pelo vertical). Fizemos até passeata para que ele não fosse instalado aqui”, conta.
Já Paulo César Rodrigues Madureira, proprietário de uma oficina mecânica localizada em frente à necrópole, é menos radical. Ele gostou da instalação do cemitério vertical porque o prédio foi erguido no terreno que antes era ocupado por casas abandonadas.
Opiniões contraditórias entre moradores da mesma região também devem surgir quando a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) instalar um novo cemitério público na cidade. Dos quatro existentes atualmente, o Cemitério da Saudade e o São Benedito estão completos e não disponibilizam novos túmulos. Neles estavam sepultadas até ontem à tarde 52.198 e 12.456 corpos, respectivamente.
Os cemitérios do Redentor e do Cristo Rei juntos realizaram 31.992 sepultamentos, sendo que 27.830 só no primeiro. A Emdurb prevê que o Redentor possa disponibilizar novos túmulos por mais três anos e o Cristo Rei por mais seis anos. Bauru ainda conta com o cemitério Jardim do Ypê, um conceito de cemitério jardim. Para comprar um jazigo simples nestes dois cemitérios, a família tem de desembolsar cerca de R$ 780,00.
Em cemitério particular o valor varia entre R$ 3 mil e R$ 9 mil, dependendo do tamanho do jazigo. No vertical, cada lóculo custa R$ 3.850,00, sendo que mausoléus com 18 gavetas chegam a custar R$ 63 mil.