09 de julho de 2026
Regional

Vendaval mata dois trabalhadores rurais

Michelle Roxo
| Tempo de leitura: 3 min

Palmital - Duas pessoas morreram e aproximadamente 50 ficaram levemente feridas após um ônibus de bóias-frias ter sido arrastado pelos fortes ventos que atingiram, anteontem à tarde, a zona rural do município de Palmital, na região de Assis (180 quilômetros a Sudoeste de Bauru).

Pouco antes do acidente, as vítimas, que são trabalhadores rurais, estavam cortando cana-de-açúcar. Segundo a Polícia Civil, com a chegada do temporal, os lavradores interromperam os trabalhos e tentaram se abrigar no veículo, estacionado às margens da estrada vicinal, que liga Palmital a Cândido Mota.

Por volta das 14h, o ônibus foi atingido por um vendaval. O veículo teve os vidros quebrados pela força do vento, foi arrastado vários metros e capotou. “Segundo testemunhas, ele foi arremessado a mais de 70 metros”, diz o delegado de Palmital, Antônio José Fernandes Vieira. Algumas vítimas, de acordo com a polícia, foram lançadas do veículo durante o capotamento; outras teriam ficado presas nas ferragens.

De acordo com o delegado, além de atingir o ônibus, o rastro do vendaval causou outros danos próximo ao local do acidente, como a derrubada de vários postes de energia elétrica e destruição de plantações. O Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) não soube precisar ontem à tarde a força dos ventos que passaram pela zona rural do município, mas assegura que foi superior a 70 km/h.

Morreram no acidente os trabalhadores Sidnei Diniz, 37 anos, e Adão Dario de Souza Pereira, 33 anos. A maior parte das vítimas teve ferimentos leves e foi conduzida ao Pronto-Socorro de Palmital, sendo liberada logo em seguida. Até ontem, duas pessoas permaneciam internadas no hospital da cidade e outras duas no Hospital Regional de Assis, todas em estado regular.

Os trabalhadores são moradores do município de Itambaracá (PR) e, na hora do acidente, prestavam serviço para a destilaria São Joaquim. Segundo a polícia, o grupo viaja regularmente para os canaviais da região.

O ônibus que transportava os trabalhadores rurais teve perda total no acidente de anteontem.

Cena de filme

“Foi uma coisa absurda, como se o ônibus tivesse entrado no meio de um furacão. O ônibus foi literalmente arremessado para cima, rodou no ar e caiu de capota para o chão, como se fosse um brinquedo de criança”, descreve o sargento Jaime Anselmo Antunes, comandante do 2.º Pelotão da Polícia Militar de Palmital. Segundo o sargento, que esteve no local do acidente, uma ocorrência dessa natureza nunca havia sido registrada na região. “Parecia uma cena do filme Twister”, reforça.

O sargento diz que o vendaval atingiu apenas a zona rural do município, não causando qualquer tipo de dano na área urbana. “Ele não passou em nenhuma área habitada”, destaca.

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Frente fria

De acordo com o Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), o vendaval que atingiu Palmital foi reflexo de uma frente fria que passou pelo Estado entre ontem e anteontem. Segundo o meteorologista Adelmo Correia, ela provocou chuvas e ventos fortes em vários pontos do Estado.

Até o fechamento desta edição, o IPMet ainda não tinha informações precisas sobre a velocidade dos ventos que atingiram a cidade, mas acredita que foi acima de 70 km/h. “Ali em Palmital, foi formada uma supercélula (de chuva), que provocou ventos fortes na superfície. Ela (a supercélula) é como se fosse um estado anterior de um tornado. Se ela evoluísse mais, chegaria ao estágio de um tornado”, explica o meteorologista.

Segundo ele, não é raro que esse fenômeno ocorra durante tempestades. “O fato é que isso, quando ocorre, em geral não atinge áreas povoadas”, diz.

De acordo com o meteorologista, a frente fria que provocou a chuva e os fortes ventos em Palmital é a mesma que também trouxe destruição a Piratininga na última segunda-feira. O temporal derrubou árvores, destelhou casas e destruiu parte de um pesqueiro e de uma fazenda. Conforme matéria publicada pelo JC, cerca de 30 famílias ficaram desabrigadas e a cidade declarou estado de emergência.