Botucatu - Professores do câmpus de Botucatu (100 quilômetros a Sudeste de Bauru) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) aderiram ontem ao movimento grevista das universidades estaduais, que já atinge várias unidades do Estado.
A paralisação, segundo a Associação dos Docentes (AD) de Botucatu, abrange as unidades de Medicina, Ciências Agronômicas, Veterinária e Zootecnia, Instituto de Biociências e o Hospital das Clínicas (HC). Ontem, segundo a liderança do movimento, cerca de 30% do corpo docente haviam interrompido as atividades. Na próxima segunda-feira, os professores vão se reunir para decidir pela continuidade, ou não, da greve.
Em todo o Estado, vários câmpus da Unesp estão sem aulas por tempo indeterminado, entre eles, Marília, Bauru e Araraquara. A principal reivindicação da categoria é uma reposição salarial de 16%. Professores e funcionários também querem discutir outros pontos da pauta de reivindicação do movimento, entre eles a expansão de vagas nos câmpus e a reforma universitária.
Para hoje, está prevista a terceira rodada de negociações, em Campinas, entre o Conselho de Reitores das Universidades Paulistas (Cruesp) e o Fórum das Seis – entidade que congrega os sindicatos de docentes de funcionários da Unesp, Universidade de São Paulo (USP) e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
De acordo com o vice-presidente da Associação dos Docentes, Sérgio Muller, é a partir do resultado desta negociação que serão definidos os rumos do movimento em nível local. Ele afirma que uma nova assembléia dos professores de Botucatu está marcada para a próxima segunda-feira. “Tudo dependerá do que a assembléia decidir, a partir da reunião do Cruesp amanhã à tarde em Campinas”, reforça.
As faculdades da Unesp de Botucatu possuem cerca de 4 mil alunos nos cursos de graduação, especialização e pós-graduação. O comando de greve local não soube informar, ontem, quantos estariam sem aulas.
Desde o último dia 16, parte dos servidores da Unesp, incluindo os que trabalham no Hospital das Clínicas, está em greve por tempo indeterminado. Anteontem, de acordo com o vice-presidente da Associação de Servidores da Unesp (ASU), Djalma Santos Bovolenta, o movimento ganhou força e teve a adesão de novos funcionários. Segundo ele, cerca 60% dos servidores da universidade estão paralisados. “Os servidores das faculdades de Agronomia e Biologia entraram em greve a partir de ontem (anteontem)”, diz. “Os alunos de Biologia também já aderiram 100% ao movimento”, completa.
O representante da categoria afirma que cerca de 2 mil funcionários estariam com as atividades paralisadas.
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Hospital das Clínicas
O Hospital das Clínicas (HC) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu estava ontem com aproximadamente 40% de suas atividades interrompidas devido a greve deflagrada pelos servidores e docentes. O hospital possui 1.268 funcionários e atende diariamente milhares de pacientes da região.
De acordo com a assessoria de imprensa do HC, os casos de urgência e emergência estavam sendo atendidos normalmente, ontem, na unidade. Já os ambulatórios estavam funcionando parcialmente.
Mais da metade das cirurgias marcadas, inclusive as de maior complexidade, foram canceladas, já que parte dos médicos anestesistas aderiu à paralisação. Segundo dados da Associação de Servidores da Unesp (ASU), cerca de 800 funcionários do hospital estariam em greve.
Em situações normais, o HC de Botucatu atende uma média de 30 mil pacientes ao mês em ambulatórios de várias especialidades. Além disso, são realizados mensalmente cerca de 115 mil exames, como endoscopia, tomografia, ultrassonografia, análise clínica, radioterapia, entre outros.