08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Bingos, mais empregos


| Tempo de leitura: 1 min

Num rompante, que está se constituindo na marca do atual governo, o presidente Lula baixou, dias atrás, medida provisória impedindo o funcionamento dos bingos e caça-níqueis no País, sob acusações de serem pontos de corrupção e lavagem de dinheiro. A atitude do presidente teve o condão de aplicar o rumoroso caso Waldomiro Diniz, assessor do ministro José Dirceu, flagrado em ato de concussão (extorsão praticada por funcionário público). Semanas atrás, o Senado, numa votação apertada (33 a 31) derrubou a medida provisória permitindo que casas de jogo voltem a funcionar. Dizem os proprietários da tavolagem que mais de 200 mil pessoas dependem do trabalho criado com os bingos, o que não é comprovado por institutos isentos. O problema, porém, não pode ficar restrito a uma simples apreciação do número de empregos oferecidos, ou ao eventual imposto recolhido e à “ajuda” que os bingos oferecem às entidades esportivas. O jogo, da forma com que é oferecido e praticado nestas casas, deve ser objeto de uma análise mais profunda e criteriosa. Não se pode aumentar a oferta de empregos ou o recolhimento de impostos a partir de atividades ilícitas ou deletérias à população. Talvez não seja o caso da totalidade das casas de bingo, mas sabe-se que o rumo é campo fértil para medrar ações nocivas, principalmente às classes menos favorecidas. Como o governo é o maior banqueiro de jogo do País, praticado através dos concursos de loteria, Sena, Mega e coisas paralelas realizadas pela Caixa Econômica Federal, fica difícil deitar moral sobre o que acontece no ramo dos bingos.

João Álvares - da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado e da Associação Paulista de Imprensa - Reg. 2069