Notório é o descaso com o(e)leitor jovem verificado na tribuna do leitor do dia 25/05/04 por parte da “escritora” ao lançar a alcunha infamante de o jovem ser “ignorante ao não desfrutar do convite ao voto”, julgando o ato de votar como dever (isto é, obrigatório) e, conseqüentemente, contradizendo os fundamentos da democracia.
Ora, revogar o voto não significa negar o direito de votar.Trata-se, sim, de um exercício de democracia raro e rebelde.O artigo defende o clichê de que o jovem é irresponsável, argumento típico usado há décadas pelos pais dos mesmos jovens para manter a soberania no lar, enquanto mantinham frigidamente juntos à arvore familiar seus filhos ainda verdes na política e na ética, hodiernos jovens, ainda presente entre nós com argumentos chulos, característica de pessoas incaltas, incultas e ocultas.
De forma alguma podemos condenar esses jovens como desorientados apenas pelo fato de optarem pelo voto isento ou até mesmo retardarem a retirada do título de eleitor, fato esse justificável pela falta de opções entre os políticos, ou melhor, seres desumanos,onde há uma simples sucessão dos cargos políticos, além da não distinção entre eles, ainda repercutem de forma vitalícias e hereditárias.
Não se trata de não exercício da democracia e sim de não haver democracia a exercer.E àqueles que classificam os adolescentes como “rebeldes sem causas” eis motivos para a certa: voto facultativo, participação do jovem na política e cobrança de ética na mesma.
Enquanto iludidas por argumentos ultraconservadores, o jovem continuará a ser subservientes aos mesmos, quando na verdade sua natureza é subversiva.Trata-se, portanto, de uma denúncia autoritária e hipócrita (por parte de alguém que parece defender os interesses político próprios).É triste saber que estas idéias partem de uma cabeça “jovem”, onde o conformismo paira em seu ser e cega a sua visão crítica. (Renan Zilioti Silva - estudante-RG: 30.456.471-0)