A incubadora de Bariri (56 quilômetros a Nordeste de Bauru) é um exemplo de que a persistência pode levar ao sucesso. Inaugurada em 98, ela passou por um período crítico, desde a sua fundação até 2001, quando a demanda oscilou.
A cidade, com 28 mil habitantes, não desistiu da idéia e em 2001 retomou o projeto. Otimista, a coordenadora Maria Vicentina Gonzaga, chamada carinhosamente de Tina, diz que a incubadora é uma referência. “Porque uma cidade deste porte não comportaria uma incubadora.”
Na opinião dela, o maior problema enfrentado pelos micros e pequenos empresários é conquistar mercado diante das grandes empresas. “Cerca de 80% dos empreendedores sobrevivem no primeiro ano e outros 20% desistem.”
Para vencer é preciso ter persistência e acreditar na idéia, ensina a coordenadora. “O perfil do empreendedor é muito importante. Ele precisa ter criatividade para colocar seu produto no mercado.”
Para incentivá-los, diz ela, a incubadora, produto de uma parceria entre Fiesp, Ciesp, Sebrae e Prefeitura Municipal, estimula. “Participamos de cursos, feiras e eventos que contribuam com os empreendedores. Além disso, fazemos uma reunião semanal a fim de que um incentive o outro. É uma troca de experiência, onde aquele que já enfrentou situação semelhante ajuda quem está começando.”
A concorrência com as grandes indústrias e fabricantes poderia ser vencida se o micro e pequeno empresário tivesse a oportunidade de divulgar o seu produto, na opinião de Tina. “Eles não têm como explorar a propaganda, porque estão começando e não possuem recursos financeiros para arcar com mais esse gasto.”
A alternativa encontrada pelas incubadoras, segundo Tina, é usar o jornal do Sebrae, mala direta, folders e a Internet, onde há um site com todas as empresas.
Uma das empresas instaladas na incubadora de Bariri exporta para a França. “Outras já mandaram amostras de produtos para a Alemanha. Temos levado as empresas para visitar feiras especializadas.”
Professor pardal
A incubadora de Bariri tem nove boxes, sendo ocupado por oito empresas - uma delas está instalada em dois. Um dos espaços está ocupado pela empresa HM-eletrônica, que desenvolve projetos de som ambiente e tem em sua carteira de clientes o Shopping Aricanduva e o Terminal Tietê que passa por reformas na Capital.
O diferencial da empresa é desenvolver projetos únicos, baseados na necessidade do cliente, explica o engenheiro eletrônico e proprietário, Paulo Hespanhol.
Satisfeito com o resultado de sua permanência na incubadora, o empreendedor já caminha para fora do “ninho”. “Vai fazer dois anos que estou aqui e já aprendi muito. Vou sair porque tenho condições de andar com minhas própria pernas.”
Hespanhol lembra que suas andanças como “professor pardal” lhe renderam ótimas idéias. Algumas já estão sendo colocadas em prática. “Em um hospital de Campinas instalei um sistema de sinalização de emergência inédito”, conta.
O sistema, segundo ele, tem muitos diferenciais. Um deles é o atendimento com viva-voz. “O paciente que está internado aciona a campainha para chamar a enfermeira. Na central, a chamada é sinalizada com uma luz e a enfermeira consegue falar com o paciente.” O sistema é indicado para hospitais para atender melhor o doente.
O mesmo pode ser adotado no banheiro dos quartos. “Por exemplo: o paciente vai ao banheiro e passa mal. Aciona a campainha e a sinalização é diferenciada para que o atendente saiba que o doente está em dificuldade naquele local.”
Idéia na cabeça
O jovem empreendedor Vaniro Ferrarezi Michelassi, proprietário da Fregal, procurou a incubadora de Bariri com uma idéia na cabeça: produzir facas de qualidade, diferenciada das comerciais. Se instalou em julho de 2003 e já está quebrando barreiras. “Eu achava que o meu produto só interessaria aos colecionadores, mas com as consultorias descobri que as facas que fabrico podem estar presentes nas residências das pessoas comuns.”
Durante sua breve permanência na incubadora, menos de um ano, ele descobriu também que era preciso popularizar o produto. “Meu preço é acessível e há facas para todas as necessidades. Tenho facas para usos diversos, como a picanheira, própria para churrasco.”
Para acrescentar diferenciais, ele está fabricando tábuas para churrasco e porta-chaves.
Reboque
A Metrion projetos especiais está há uma ano na incubadora de empresas de Bariri e fabrica cambão, um sistema para rebocar veículos sem utilizar mais de um motorista, além de painéis para postos de combustíveis.
O “professor pardal” da empresa é o proprietário, Eldis Felippi. O sistema é indicado para mecânicos e dispensa o uso de mais de uma pessoa. “O mecânico engata o carro e pronto. O motorista fica no veículo que está puxando.”
O mesmo empreendedor, em parceria com um engenheiro civil da Capital, desenvolveu um novo conceito em caixas de inspeção para esgoto e caixa de gordura em fibra de vidro para uso residencial e industrial.
As caixas são mais duráveis e suportam até 100 graus centígrados de temperatura e todo tipo de ataques químicos que costumam deteriorar as caixas comuns.
Aprender a administrar
A empresa Ioflex, fabricante de móveis estofados, procurou a incubadora para aprender a administrar a empresa, explica a coordenadora do programa. “Há um ano que eles se instalaram aqui para poder usufruir das consultorias e assessorias.”
Na mesma situação se encaixa a recém-chegada Jéssica Decorações, conta a coordenadora. “Esta empresa já existia, mas a proprietária se instalou aqui para participar do programa para administrar a empresa de modo diferente. Eles são fabricantes de capas de colchões, lençóis, almofadas e cortinas.”
Já a empresa Bobinas Santos chegou para aprender a gerenciar. Eles fabricam bobinas de campo para automóveis e estão há pouco tempo na incubadora.
Projeto no Brasil
• No Brasil existem 215 incubadoras em funcionamento
• 23% delas estão instaladas no Estado de São Paulo
• 50% estão em funcionamento no Estado de São Paulo e mais seis serão inauguradas em maio/2004
• Até o final deste ano serão 80 no Estado
• 522 empresas estão instaladas
• 226 empresas são associadas (já se graduaram e contribuem financeiramente com o projeto)
• 358 empresas já foram graduadas, ou seja, já conquistaram seu espaço
• 179 empresas desistiram do projeto
• 1.285 empresas são ou já foram atendidas