08 de julho de 2026
JC Criança

Jovens buscam sua espiritualidade

Roberta Mathias
| Tempo de leitura: 4 min

As irmãs Hortência Baffi de Carvalho, 9 anos, e Gardênia, 11 anos, são seicho-no-ie, uma religião japonesa, que significa “lar do progredir infinito”. Elas contam que Deus é um só. “Deus está dentro de cada um de nós e em todos os lugares”, explica Gardênia.

Elas freqüentam os grupos da seicho-no-ie e gostam muito. “Eu faço parte da reunião de juvenis, que são jovens de 11 a 14 anos. Todos os sábados, a gente começa com uma palestra ministrada pelo preletor (palestrante da seicho-no-ie) com um tema diferente. Depois tem uma brincadeira e um lanche.”

Já a Hortência vai nos encontros a cada 15 dias, quando o grupo infantil se reúne. “Toda reunião começa com uma oração, cada vez é um que faz.” A mãe, Carmen Luiza Baffi de Carvalho, é preletora e coordena as reuniões de crianças. Ela explica: “Deus está em todos nós. A gente diz assim: se você quer ser feliz, venha a aprender a perdoar e agradecer na seicho-no-ie”.

As palestras, explica Gardênia, falam de temas atuais, de acordo com a época. “Por exemplo, o significado da Páscoa; a gratidão aos pais; como vencer medos e dificuldades.” Ela conta que nem sempre as coisas são fáceis de perceber. Na escola, é comum cada um ter o “seu” amigo, que não pode ser amigo de mais ninguém. É um amigo exclusivo. “Uma vez, aconteceu assim: eu tinha brigado com minhas amigas, cheguei em casa e contei para a minha mãe. Ela me lembrou que todos têm que ser amigos. No dia seguinte, falei a elas e a gente ficou de bem!”

As irmãs também têm o hábito de trocar informações sobre religiosidade com os amigos. “Eu já levei vários amigos na seicho-no-ie e também freqüentei a igreja deles. Eu acho legal”, diz Gardênia. A irmã Hortência também segue o mesmo caminho. “Já levei duas amigas, a Letícia e a Ana Laura, e elas gostaram.”

Hortência também aproveita os momentos difíceis para recorrer à sua religiosidade. “Quando a prova está difícil, por exemplo, agradeço a Deus pela proteção e pela capacidade que tenho. Falo obrigado para a minha prova e consigo fazer”, ensina Hortência.

Professorinha

Júlia Duran Ticianelli tem 11 anos e já é professora de catecismo em Iacanga. Todos os sábados, ela e as amigas Caroline e Bruna dão aulas para outras crianças na Paróquia de São João Batista. “Eles são pequenos, têm entre 3 e 4 anos, por isso, quando preparo a aula, escolho histórias, desenhos e brincadeiras.”

Ela conta que nem sempre os alunos querem histórias. “As crianças gostam de ouvir histórias da Arca de Noé, de Jesus, mas o que elas mais gostam é de brincar. Aí a gente brinca, pois elas são muito pequenas, né!”

A jovem professora também preocupa-se em ensinar orações para as crianças. “Elas já sabem o Santo Anjo, Ave Maria e o Pai Nosso”, diz. Ela acha importante as crianças aprenderem, assim podem rezar. “Eu gosto de ir na igreja, dar aulas, arrumar as coisas lá. Também participo do grupo de jovens e faço muitos amigos. No domingo, vou à missa e quando tenho dificuldades, peço auxílio ao meu Anjinho da Guarda!”

Para Júlia, é importante ter uma religião. “Não importa qual, mas lá você tem amigos, faz amizade com professores. Não tem uma religião melhor que a outra, mas eu gosto da minha, que é a católica”.

União de forças

A religiosidade também une as pessoas. Júlia é amiga de Taísa, que é da igreja Batista, e sempre brincam em Iacanga. Um dia, elas ficaram sabendo que uma casa pegou fogo e a família perdeu tudo. “Os pais, a filha mais velha e as quatro crianças perderam todas as roupas e sapatos. Eu, a Taísa e o Rodrigo, irmão dela, fomos lá.”

Eles tiveram a idéia de reunir produtos para ajudar aquela família. “Pedimos para as pessoas e muita gente ajudou. Conseguimos reunir duas caixas de mantimentos e roupas”, lembra Júlia. Para ela, ajudar as pessoas é muito bom. “Eu fiquei muito feliz em poder ajudar.”

Fé desde cedo

Com apenas 4 aninhos, Cárian Leoz Zampa se diverte na escolinha dominical da Igreja Metodista. Ela gosta de ouvir as historinhas narradas pelos professores, cantar hinos de louvor e dançar. “É muito gostoso, tem bastante amiguinhos”, conta a garotinha.

Ela explica que “Jesus morreu na cruz, mas ressuscitou” e acrescenta: “Ele é o nosso melhor amigo”. Cárian acompanha sua mãe Renata também nos dias de culto, onde fica fazendo atividades com outras crianças.

“Na escolinha dominical, as crianças são separadas por idade, pois os interesses são diferentes. São professores com magistério, que ensinam com desenhos e histórias”, conta a mãe. Já durante o culto, as mães são responsáveis pelas crianças. “Cada domingo fica uma mãe responsável. As crianças ainda são pequenas para ficar no culto”, acrescenta Renata.

Ela conta que na infância sua mãe foi bastante rigorosa na questão da religiosidade, por isso, procura agir diferente, para que a filha tenha interesse. Para a mãe Renata, é fundamental os exemplos que os pais passam para os filhos. “Os filhos imitam os pais, por isso é importante a relação de amor e o respeito às opiniões de outras pessoas.”