08 de julho de 2026
Cultura

Cidade do teatro

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 3 min

Há décadas, o cenário cultural de Bauru é conhecido por ser um celeiro musical, levando bandas de diversos gêneros a se apresentar em bares e casas noturnas locais e da região. A situação não é diferente para o teatro, que apesar de muitas vezes não estar no centro dos holofotes, é responsável por oferecer, freqüentemente, ótimos espetáculos à população.

Boa parte dessa qualidade é fruto do aperfeiçoamento do trabalho realizado pelas companhias locais e também pela ampliação de projetos de incentivo cultural. Essas propostas contribuem para a evolução e difusão da arte na cidade, que registrou, desde o ano passado, um aumento de grupos de teatro. Segundo dados da Secretaria Municipal da Cultura (SMC), existem 25 companhias cadastradas no último censo organizado pelo órgão público.

Coordenada pelo diretor Márcio Pimentel, a companhia Sylvia Que Te Ama Tanto, está há 16 anos na estrada. Sua peça mais recente, a infantil “Vem Vento...”, estreou ontem no Teatro Municipal “Celina Lourdes Alves Neves”, e será levada a outras cidades da região, em uma longa turnê marcada para este semestre.

Além da “Vem Vento...”, o grupo está preparando a produção de um novo espetáculo, denominado “Simulacro”. A exemplo da peça “Morada”, que tinha como palco uma casa, a montagem terá um espaço cênico não-convencional. “Ela será encenada dentro de uma fábrica”, adianta Pimentel.

O diretor explica que parte da produção de “Simulacro” será financiada pela Lei 5.042, aprovada em 23 de outubro de 2003, e que instituiu o Programa Municipal de Estímulo à Cultura. Sua proposta é viabilizar a execução de projetos culturais com recursos públicos provenientes de 0,2% do orçamento arrecadado pelo município.

Para este semestre, após uma extensa seleção, oito projetos de diversas áreas culturais foram escolhidos pela SMC para participar do programa. Os grupos teatrais terão uma verba de até 20 mil reais para auxiliar na montagem das peças. O Sylvia Que Te Ama Tanto contará com 19 mil reais para desenvolver a “Simulacro”. A primeira parcela da verba está prevista para ser liberada na próxima sexta-feira.

Embora o valor não seja suficiente para cobrir todos os gastos da produção da peça - que segundo Pimentel, estão estimados em 28 mil reais - ele representa um incentivo a mais para o grupo, afirma o diretor. “A lei municipal abriu várias considerações para os artistas de Bauru. É uma situação bem agradável e, na verdade, temos a possibilidade de trabalhar mais tranquilamente”, diz.

O grupo Ato, coordenado pelo diretor Carlos Batista e pela atriz Elisabete Benetti, é outra companhia local que será beneficiada pelo programa. “Fomos aprovados com o espetáculo ‘Prometeu’, que tem estréia prevista para julho. Ele será apresentado na periferia de Bauru”, conta Batista, que comemora o sucesso da peça infantil “O Dia em Que o Medo Virou Música”.

A montagem estreou em março no Teatro Municipal e, segundo Batista, reuniu quase 4 mil pessoas em cinco dias de espetáculo. “Em seguida, levamos a peça para Macatuba e fomos vistos por 1.300 espectadores”, lembra o diretor. “Em junho vamos apresentar a peça em Lençóis Paulista e Marília, e em agosto, em Barra Bonita”, afirma

O grupo Ato, que possui 15 anos de trajetória, não possui um número fixo de integrantes - já que a quantidade de atores muda conforme os espetáculos. A companhia produziu cerca de dez peças, a maioria foi apresentada em cidades da região, como “Habitante do Sonho” e “A Nutricomédia”.