A Organização Mundial de Saúde (OMS) e seus 192 países-membros lançaram oficialmente, no último fim de semana, a “Estratégia Global sobre Dieta, Atividade Física e Saúde”. Trata-se de uma campanha que deve ser implementada mundialmente para incentivar a adoção de uma dieta balanceada e da prática regular de exercícios físicos. O objetivo é reduzir a incidência das chamadas doenças não-transmissíveis.
O Relatório Mundial de Saúde 2001 mostrou que as doenças não-transmissíveis (problemas cardiovasculares, diabetes, câncer, entre outras) são responsáveis por 60% das 56 milhões de mortes registradas no planeta Terra anualmente. E se os níveis continuarem aumentando na proporção que tem sido observada nos últimos anos, a expectativa é de que esse índice chegue a 73% em 2020.
Só para se ter uma idéia, o Atlas da Saúde no Brasil, divulgado no fim do ano passado, informa que, em 1930, 46% das mortes nas Capitais brasileiras eram causadas por doenças infecciosas. As doenças não-transmissíveis eram responsáveis por 12% das mortes.
Em 2000, o número de óbitos causados por patologias infecciosas caiu para 5%. Em compensação, as doenças cardiovasculares e os cânceres (não-transmissíveis) passaram a ocupar os primeiros lugares entre as causas de morte nas Capitais do País.
Só as doenças cardiovasculares respondem por 31% das mortes no Brasil. No caso das neoplasias, a estimativa para esse ano é que surjam 402 mil casos novos, com 127 mil mortes por câncer, segundo o Ministério da Saúde.
Paralelamente a essas estatísticas, o Relatório Mundial de Saúde 2002 descreveu que os principais fatores de risco para as doenças não-transmissíveis incluem hipertensão arterial, altos níveis de colesterol no sangue, ingestão inadequada de frutas e vegetais, sobrepeso ou obesidade, sedentarismo e tabagismo. “Cinco desses fatores de risco estão intimamente relacionados à dieta e à atividade física”, destaca a OMS.
Diante de todas as evidências, a Organização Mundial de Saúde propôs o estudo de uma estratégia global de combate a esses fatores de risco. Profissionais de diversos países, inclusive do Brasil, formaram um “grupo de referência” que passou os últimos anos formatando uma proposta de ação. A minuta acaba de ser aprovada durante a 57.ª Assembléia Mundial de Saúde, encerrada dia 22 em Genebra.