08 de julho de 2026
Noivas 2004

Convites ganham imagem personalizada


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Quem foi ao casamento dos empresários Tammy Curti e Samy Vaisman sabia, de antemão, que seria um evento pouco convencional. Ela, que usou um vestido verde-água na cerimônia, abriu mão da vaidade e se entregou ao traço bem-humorado do caricaturista Mário Alberto na hora de decidir o modelo de convite. Cada vez mais o tradicional cartão branco e retangular vem dando espaço a convites personalizados, com a cara do casal de noivos e com o tipo de comemoração para a qual convidam seus amigos.

“Não queríamos nada muito careta. Sempre fomos brincalhões e pouco formais. Um casamento tradicional definitivamente não combinaria conosco. Muitos amigos já pediram indicação”, diz ela.

A prova do bom humor é que Tammy ainda ampliou a caricatura e a pôs na saída do salão para que os amigos deixassem mensagens. Para ela, o contato com o ilustrador foi fundamental, pois o artista conseguiu, depois de muita conversa, fazer algo bastante fiel ao jeito de cada um dos noivos.

Na opinião do artista plástico Rafael Dória, que já desenhou convites nada ortodoxos, o envolvimento do casal é muito importante para o resultado ficar perfeito. “Em comum, os casais que me procuram só têm o desejo de fugir do lugar-comum. Fora isso, cada um tem uma história. Já usamos seqüência de fotos de casal, tipologia e ilustrações inspiradas nos anos 20, motivos rurais, tudo de acordo com o perfil dos noivos”, diz.

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Criatividade sem gastos

Optar por um convite incomum não é sinônimo de rios de dinheiro. Segundo o artista plástico Rafael Dória, um designer pode, inclusive, ajudar o casal a evitar gastos desnecessários. “É claro que tudo depende do preço que o designer vai cobrar, mas, em geral, o profissional pode encontrar soluções criativas, de qualidade e bom gosto, mesmo para quem tem uma verba apertada.” Dória enfrenta agora um desafio pessoal: criar o convite de seu casamento com a também designer Marina Ribas. “Como nós dois trabalhamos com imagens, fazemos questão de um convite diferente. Estou pesquisando alguns materiais. Queria alguma coisa que não fosse impressa em papel. Talvez plástico. Vai ser surpresa”, avisa.

Para a arquiteta Ana Eugênia Azulay Abulafia, fazer de um CD o convite do casamento não estourou o orçamento. Cada unidade custou R$ 3,00. Numa gráfica, um cartão tradicional sairia por R$ 1,60. Fora o gasto de R$ 1,00 a R$ 1,60 por unidade com o trabalho do calígrafo. “Contei com a ajuda de vários amigos para fazer o convite. Um me ajudou com a parte gráfica, outro emprestou o equipamento para gravar o CD”, conta a noiva, que casou-se no Rio de Janeiro e inovou ao usar blusa e calça bordadas e ao entrar no castelo ao som de samba. E que ninguém pense que ela e o noivo, Marcio Lerner, simplesmente listaram as músicas e mandaram gravar. O casal foi para o estúdio de um amigo e pôs a própria voz no convite, chamando os amigos para a festa.

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Amigos em disco

No inusitado convite, o casal Márcio e Ana lembra como se conheceram e citam colegas, o que torna a brincadeira ainda mais divertida para os mais chegados. Até um mapa da casa de samba na Lapa, no Rio, onde foram apresentados, está no encarte do CD. “Desde o início a gente queria que tudo tivesse o nosso jeito. Quis cuidar de todas as etapas pessoalmente”, diz Ana Eugênia, que sabia que, por mais moderno que fosse seu convite, iria preservar certas convenções. “O convite é um CD com 20 músicas que têm a ver com a gente. No encarte, pusemos fotos, trechos das letras e o texto do convite tradicional em português e em hebraico. Por exemplo, demos destaque aos nomes de nossos pais.”

O resultado da novidade é que, vira-e-mexe, Ana entra no carro de alguma amiga e escuta o CD que gravou. “É divertido. O que era para ser apenas um convite tornou-se uma lembrança diferente.”

Outra vertente dos convites modernos é o digital. Em vez de enviar um convite impresso para parentes e amigos que moram longe, os noivos escolhem modelos virtuais que são mandados por e-mail. A tecnologia permite associar ao texto básico fotos, imagens em movimento e até sons. Neta de gaúchos e mineiros, a programadora visual Fernanda Barbosa aproveitou a Internet para economizar os gastos com selos. “Claro que esse foi só um pretexto para fazer uma gracinha para meus tios e primos que moram no Sul e em Minas Gerais. Mas tive um problema. Algumas pessoas não tinham equipamento para ouvir a musiquinha. Fica como aprendizado. Mas espero não ter que repetir isso em um outro convite. Pelo menos, não meu”, diverte-se.

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Clássico e net

Para quem prefere convites tradicionais a moda agora é enviar convites quadrados, sem fotos, em papel trabalhado, mas num visual bem clean. O preço nas gráficas varia de acordo com papel, tinta, tamanho, espessura, mas principalmente pela tiragem. Dependendo do processo, quanto maior for o número de convites, menor será o preço unitário. Para os mais artesanais, o custo tende a se manter por unidade. Mas é possível se confeccionar convites a partir de R$ 0,80.

Na Internet, também se oferece serviço de envio de convites personalizados por e-mail a um custo médio R$ 35,00 a centena.