A difusão de conhecimento para o público leigo ainda fica fora das etapas de produção científica. Para a maioria dos pesquisadores, a divulgação não precisa ir além das revistas especializadas. Com o intuito de convencê-los do contrário, a Associação Brasileira de Jornalismo Científico (ABJC) quer contribuir com a formação de comunicadores e aproximá-los dos doutores, informa o presidente da entidade, José Roberto Ferreira.
Ele esteve na semana passada em Bauru para instalar o primeiro núcleo regional da ABJC. “Para os cientistas é bom (a divulgação) e para as pessoas também. Elas se ilustram com a formação científica. Se você sair na rua e pedir para alguém citar o nome de um escritor ou de um compositor de música clássica, ele diz. Mas pede o nome de um cientista brasileiro: ninguém conhece”, observa Ferreira.
Para ele, o pesquisador ainda não se atentou para a importância da divulgação científica, embora ela também seja um meio de prestação de contas à sociedade. A situação já foi pior em décadas anteriores, quando o volume de pesquisas era mais escasso. De 1981 a 2002 o Brasil subiu da 27.ª para a 17.ª posição no ranking mundial da pesquisa.
“A divulgação científica era um pouco acanhada. Em 20 anos, a produção mais que triplicou. O número de doutores no Brasil passou de 10.994 em 1993 para 34.349 em 2002. Hoje, o crescimento da produção é maior que o da divulgação”, acrescenta o presidente da ABJC.
Na opinião dele, a matéria-prima para o jornalismo científico é interessante, mas os profissionais da comunicação carecem de formação, embora algumas universidades já ofereçam disciplinas na área.
Desde fevereiro, a ABJC está apurando a qualidade das aulas ministradas em diversas instituições do País, trabalho que deve ser concluído até setembro. “Queremos levantar quais faculdades já implementaram (a disciplina), a bibliografia recomendada e quem são os professores. Uma das nossas primeiras preocupações é contribuir com a formação do jornalista”, conclui Ferreira.
Núcleo Regional
Para marcar a implantação do Núcleo Regional Centro-Oeste da Associação Brasileira de Jornalismo Científico (ABJC), o primeiro criado pela entidade desde sua fundação em 1977, será realizado, na segunda quinzena de agosto, um evento científico que reunirá pesquisadores e profissionais da imprensa na mesma mesa de debates.
Com o tema “Divulgação científica: um desafio para jornalistas e cientistas”, o debate terá como objetivo melhorar a qualidade da divulgação da ciência na mídia a partir da integração das áreas envolvidas. A outra finalidade é colocar a região na pauta dos grandes debates científicos nacionais, informa o professor, jornalista e coordenador regional do núcleo Luís Victorelli.
“Temos instituições que geram ciência de ponta e essa pesquisa precisa chegar ao grande público com a mesma competência com que é produzida”, diz.
Ele, além de ser um dos 600 associados da ABJC, também ajudou a instalar o primeiro núcleo da associação, que constituiu sua primeira diretoria sexta-feira. Foram eleitos os representantes das cidades de Bauru, Marília, Botucatu e Jaú.