O presidente da Câmara Municipal de Bauru, vereador Renato Purini (PMDB), vai ocupar a vaga de vice-prefeito na chapa encabeçada pelo ex-deputado federal Tuga Angerami (PDT). A dobrada foi anunciada ontem em evento realizado numa escola particular que contou com a participação de cerca de 100 pessoas.
Com isso, cai para dez o número de partidos que pretendem lançar candidatura própria à prefeitura. É que o PMDB planejava disputar o primeiro turno das eleições com candidato próprio.
O PDT é o segundo partido a anunciar seu vice no campo majoritário. O PSDB saiu na frente, há dez dias, ao confirmar o nome do médico Fernando Monti (PL) para ocupar a vaga de vice do empresário Caio Coube, indicado pelos tucanos para a disputa à prefeitura.
A opção de Angerami por Purini também inviabilizou a indicação da vereadora Majô Jandreice (PCdoB) a vaga de pré-candidata a vice-prefeito na anunciada dobradinha PMDB/PCdoB. Mas os comunistas vão compor a frente nas candidaturas proporcionais (Câmara Municipal) com o PMDB.
A chapa tuguista ainda está aberta a novas adesões. O presidente da executiva municipal provisória do PDT, vereador Faria Neto, tem esperanças de ampliar o leque de alianças, que já conta com o PSDC e PTdoB. Depois da operação política que culminou na dobrada com o PMDB, o PDT tenta agora convencer dirigentes e lideranças do PSB a compor a frente. O flerte também é dividido com o PV. Mas dirigentes dos dois partidos garantem que vão partir para a candidatura própria.
Nessa reta final de definições, ainda estão sem vice as pré-candidaturas a prefeito de Antonio Carlos Barbosa (PHS), Antonio Sérgio Marsola (PPS), Clodoaldo Gazzetta (PV), Dudu Ranieri (PFL), Estela Almagro (PT), Luiz Carlos Valle (PSB) e Sandro Fernandes (PSTU). O Prona ainda não definiu o nome de seu candidato à prefeitura.
Emoção
A relação de Tuga Angerami com o PMDB no passado ilustrou os principais pontos dos entusiasmados discursos de dirigentes e lideranças que prestigiaram o evento de ontem. Em 1982, em pleno processo de redemocratização do País, Angerami disputou a eleição municipal como vice de Edison Bastos Gasparini, eleito prefeito pelo PMDB. Vitimado por um câncer, Gasparini morreu um ano depois. Seu vice assumiu o comando da administração.
A citação desse episódio emocionou a mulher de Gasparini, Darci, e a seus dois filhos, Alex - presidente da executiva municipal do PMDB - e Gasparini Jr., todos presentes ao evento, que se transformou num clima de festa, mas emotiva. O ex-deputado Roberto Purini (PDT) - pai de Renato e um dos fundadores do PMDB na cidade - também se deixou levar pelo “túnel do tempo” ao fazer seu discurso.
“Depois da administração do Tuga (1983/1988), Bauru viveu uma década de trevas administrativas. Mas a cidade vai reencontrar seu verdadeiro caminho”, prevê. A vereadora Majô Jandreice fez o contraponto do flash back que havia tomado conta da reunião. “A história se repete, mas a roda do mundo não anda para trás, só anda para frente. Estamos mais fortes hoje”, garante.
Já na condição de pré-candidato a vice-prefeito, Renato Purini disse que as conversações entre o PMDB e o PDT estavam ocorrendo há semanas. “E nós percebemos que o projeto do PDT é o mesmo que o do PMDB. As idéias convergem. E não são só idéias políticas. São idéias que convergem por Bauru, pelas pessoas. Vamos fazer um governo de resgate da auto-estima do povo”, promete.
Último a discursar, Tuga Angerami afirma que não disputará a eleição a prefeito “por simples vaidade”. “O desafio é muito grande. Juntos, podemos replanejar nosso futuro. O futuro é produto do replanejamento, manifestação de um desejo do povo”, afirma.
O pedetista diz que “pensou muito” antes de decidir disputar mais uma eleição. “Me disseram: fica em casa e cuide dos netos. Mas eu não tenho o direito de ficar em casa. Tive a oportunidade de aprender. E não tenho o direito de me apropriar disso. Sou servidor público.”