30 de maio de 2026
Articulistas

Dependência da água


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É absolutamente axiomática a preocupação de todos a respeito da água, sendo ela, tanto quanto o ar, necessária à vida humana, assim como animal. Com efeito, qual vivente pode sobrexistir sem ambos? Existentes, caso específico da água, nas profundidades e superfícies do solo, assim como, caso também evidente do ar, mesmo quando transmudado em vento, foram eles criados por Deus sem outra intenção que a de possibilitar a geração e a vivência da humanidade em todos os tempos. No deslocamento do ar, respira-se. No da água, alimenta-se com os materiais por ela propiciados.

Lembra-se, porém, que apenas respirar não é suficiente para a vida, a isso se tendo de aliar o precioso líquido, branco ou esverdeado, o qual, conseqüentemente, não pode faltar a qualquer organismo, advindo daí toda a inquietação universal diante da convicção, amplamente imaginada e propalada, de que possa ela vir um dia a desaparecer do mundo, a todos matando de sede. E não se pode deixar à margem do seríssimo problema o nosso Brasil, porquanto temos aí rios e outros veios em liberta poluição e indiscriminada eliminação, caso de várias cidades da Bahia, na qual mais de 30 nascentes e pequenos afluentes do legendário São Francisco já desapareceram, sumiram do mapa, em função do que o imenso rio, um dos maiores do País, encontra-se em penosa agonia, prevendo-se sua completa extinção até 2060. Tudo isso, enquanto mananciais do fabuloso Amazonas se apresentam contaminados pelo mercúrio dos garimpos, afirmando-se que outros tantos dos nossos rios são também depositários de dejetos sanitários, industriais, comerciais, hospitalares e agrícolas. Estima-se, logicamente, que, conforme estimativa da Organização Panamericana de Saúde, cerca de 20% dos brasileiros não têm acesso à água potável, 40% do que as torneiras despejam não desfrutam de confiabilidade, 50% das casas não têm coleta de esgotos e 80% de tal esgoto são lançados diretamente nos rios, ribeirões e represas, sem qualquer tipo de tratamento.

Conscientemente, a Organização das Nações Unidas coloca o líquido de consumo genérico no importante contexto do “direito humano à alimentação”, o que tem inspirado muitas organizações não-governamentais a lutarem por essa dimensão da água em nível planetário. O governo brasileiro, alerta ao problema que ameaça a nação, é signatário da oportuna convenção, à luz da qual tentará desenvolver um novo modelo para o setor aquático, considerado segredo da vida e, portanto, não podendo jamais, em circunstância nenhuma, vir a ser esquecido. É a nossa opinião.

O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.

Agradecemos à colega Aline dos Santos o prazer que nos deu transcrevendo na edição de junho corrente do “Nosso Caminho”, órgão da Paróquia São Cristóvão, do qual é jornalista responsável, a íntegra do nosso artigo “Exigências do ideal” (publicado em 6 de maio passado neste espaço do nosso jornal).