08 de julho de 2026
Pesca & Lazer

História de Pescador: Bem, a história é simples...


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“Nós trabalhamos em Porto da Barragem. E de vez em quando, damos uma pescadinha. E, nesse dia o patrão, conhecido por Cabelão, todo animado, já de manhã pegou algumas iscas e me convidou para pescar à tarde. Ele também ia fazer um churrasquinho. Mas quando foi lá pelas três horas, já estávamos desocupados. E o churrasquinho era só às cinco da tarde. Para aproveitar o tempo, fomos ver se pegávamos alguns tucunarés e algumas piranhas.

É importante dizer que o nosso barco era feito de zinco, com o nome de “Jesus me chama”. Mesmo assim, estávamos todos animados. O local onde íamos pescar tinha uma entrada que dava uns 80 metros.

Nos preparamos para sair. O Cabelão, que pesa 120 kg, e eu, com mais uns 75 kg, subíamos naquele barco, quando o Cabelão falou: ‘Eu sou o campeão de pesca’. Naquele momento, ele entrava no barco e levava nas mãos à sua maleta, com mais de 200 anzóis. Ele sentou no piloto e eu na ponta. O Cabelão falou: ‘Valentim senta, porque esse barco é perigoso’. E eu falei: ‘Fica frio, está tudo sob o meu controle’.

E continuamos a navegação. Chegamos no lugar de pesca, apoitamos o barco e eu estava de pé, sem problemas. Durante a pesca, deu um puxão na minha vara e eu falei pro Cabelão: ‘Acho que eu vou trocar de vara porque este anzol tá muito pequeno’. Foi aí que eu peguei a outra vara, fui desenrolar a linha e ergui a vara para cima, porque a linha era comprida. Mas quando eu olhei para cima, o bote chacoalhou.

Aí começou aquele fuá, pende pra cá e pende pra lá; e o Cabelão grudado na beirada do barco, que começou a virar, uma loucura! Eu só vi quando o Cabelão arregalou o olho e não soltava do barco. A água já estava no peito dele, aí que ele se soltou na água. Bem, saímos nadando e o barco no fundo do rio.

Mas isso não foi nada, teve mais uma coisa. Quando nós fomos saindo perto do outro porto, um cachorro veio de encontro querendo nos morder e foi aquela gritaria! Sorte ninguém saiu ferido.

No final, nós, que só tínhamos aquela roupa, tivemos que ficar molhados para o churrasquinho. O jeito foi ficar perto da churrasqueira para se aquecer e secar. E ninguém falava mais de pesca.”

Valentim de Jesus Fernandes é marinheiro e pescador nos dias de lazer.