08 de julho de 2026
Geral

Lixo acumulado chega a 710 toneladas

Ronaldo Schiavone e Rose Araújo
| Tempo de leitura: 5 min

A Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) estima que 710 toneladas de lixo deixaram de ser recolhidas na cidade desde segunda-feira, quando os servidores municipais paralisaram as atividades. Os grevistas estão mantendo apenas 30% da coleta, índice mínimo exigido pela lei nos casos de serviços essenciais.

Diariamente, 210 toneladas de lixo são produzidas no município. Como apenas oito das 25 equipes de coleta estão trabalhando, somente 60 toneladas vêm sendo recolhidas. A situação deve se agravar ainda mais após o final de semana, já que o lixo não é coletado aos domingos.

O impasse entre servidores e prefeitura tem deixado a população preocupada. A dona de casa Maria Aparecida Vicente Cardoso, moradora da Vila Dutra, está acumulando, há quatro dias, os sacos de lixo em seu quintal. “Se colocar na rua, os cachorros rasgam e espalham tudo”, destaca.

Ela diz que o mau cheiro já está insuportável e a situação só não é pior porque a meteorologia está ajudando. “Se estivesse sol e calor, nós não estaríamos agüentando esse monte de lixo em casa.”

Maria Aparecida destaca que a maior preocupação é com relação às doenças que podem ser transmitidas devido ao acúmulo do lixo. “Minhas netas estão sempre em casa e eu tenho medo que elas se contaminem com alguma doença”, diz.

A dona de casa critica a posição da prefeitura com relação à paralisação. “Os funcionários têm todo o direito de reivindicar melhores salários e a administração municipal deve estar preparada para agir em caso de greve, sem abandonar a cidade”, frisa.

Segundo ela, a prefeitura vive fazendo campanha nos bairros para alertar sobre os perigos da dengue e da leishmaniose, cobrando mais cuidado dos moradores. No entanto, agora que o lixo está espalhado por toda a parte, não toma uma atitude para resolver o problema.

O assessor comercial Eliton Francisco Carvalho, que mora no Núcleo Joaquim Guilherme de Oliveira, explica que a situação no seu bairro é precária. “O meu portão, por exemplo, está repleto de lixo, pois os cachorros acabam rasgando os sacos e espalhando tudo”, salienta.

Ele considera um absurdo o fato de apenas 30% dos coletores estarem trabalhando. “A Emdurb deveria tomar uma decisão rápida para sanar o problema”, afirma.

Para Carvalho, a coleta é um serviço essencial. “Trata-se de uma questão de saúde pública. Não dá para resolver pela metade”, comenta.

O zelador Raeder Luiz dos Santos, funcionário de um condomínio que fica na rua Gonzaga Machado, na Vila Galvão, afirma que está tendo dificuldades para acondicionar o lixo que é entregue pelos moradores. “Já faz quase uma semana que o caminhão de coleta não passa por aqui”, relata.

A ordem dos locais que estão sendo atendidos pelos coletores foi definida por sorteio realizado na terça-feira. Os grevistas se comprometeram a visitar cada bairro da cidade pelo menos uma vez semana.

Contratação

Logo após o início da greve, a Emdurb anunciou a intenção de fazer uma contratação em caráter temporário para garantir o recolhimento de 100% do lixo produzido na cidade. Segundo a assessoria de imprensa da empresa municipal, isso deve ocorrer, porém, apenas na próxima semana.

Ainda de acordo com a assessoria de imprensa, o assunto está sendo tratado com cuidado para que o contrato seja firmado dentro do que possibilita a lei. A Emdurb enviou proposta de execução do serviço a seis empresas.

O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sinserm) ameaça contestar a contratação na Justiça, alegando que ela fere o direito de greve.

O Sinserm também protocolou ontem na prefeitura pedido de reunião para discutir a greve. Segundo a assessoria de imprensa da administração municipal, a data do encontro ainda não foi agendada.

Os servidores pedem 78% de reajuste salarial, mas aceitam suspender o movimento grevista caso seja concedido um aumento de 6,5%. Outra reivindicação é a atualização do valor do vale-compra, de R$ 132,00 para R$ 200,00.

Em nota oficial distribuída ontem, o prefeito Nilson Costa (PTB) reafirma que não tem como dar nenhum reajuste além dos 8% que concedeu em março, quando também aumentou o vale-compra em 7%.

O prefeito cita a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) para dizer que a folha de pagamento do município consome 51,4% do orçamento, índice que, segundo a administração, é considerado alarmante pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE).

Além disso, Nilson destaca que a lei eleitoral impede, após o dia 6 de abril, reajuste salarial que exceda a recomposição das perdas registradas ao longo do ano. Ele argumenta que os 8% que concedeu em março superam os 6,68% registrados pelo Índice de Preços ao Consumor Amplo (IPCA).

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Adesão à greve

A diretora do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sinserm), Idelma Corral, afirma que 2,5 mil dos 6.310 funcionários da prefeitura estão em greve. Segundo ela, os setores da coleta e educação são os que apresentam maior adesão.

Corral calcula que 52% dos professores das escolas e creches municipais estão parados. Entre os coletores, a adesão é de 100%.

A sindicalista espera para hoje paralisação maciça por parte dos servidores da área da saúde. “É o único setor que falta para que tenhamos a participação de todas as categorias”, relata.

Os números da prefeitura em relação à greve são bem mais modestos do que os apresentados pelo Sinserm. Segundo a assessoria de imprensa da administração municipal, 232 funcionários faltaram ao trabalho ontem, o equivalente a 3,68% do quadro de servidores.

O balanço da prefeitura aponta 66 faltas na Secretaria Municipal da Educação, apenas 16 a mais do que vinha sendo registrado em dias anteriores. Nas demais pastas, o número de ausências, de acordo com a administração, é ainda menor.