Leio com tristeza as páginas de nosso jornal. Tigres são sacrificados em nosso zoológico, animais esses de inestimável valor para a manutenção de sua espécie, tão ameaçada. O que só nos empobrece como seres “sapiens” detentores e guardiões de todas as vidas desse planeta.
Noutra página, eqüinos sofreram queimaduras provocadas por ácido atirado por um “homo sapiens” que alegou não saber que se tratava desse produto.
Mais uma página e vemos lá bifes vivos expostos em frente a estabelecimento comercial. Onde está nossa sapiência para com os nossos “elos vivos” que sustentam a natureza?
Todos os valores devem ser protegidos e avaliados diariamente. É difícil avaliar quanto era valiosa para a natureza a existência da mãe e do filho tigres abatidos ontem em nosso parque. Hoje, talvez seja mais fácil avaliar que guardávamos mal um tesouro tão valioso. Não há retorno para essa perda. Temos a obrigação e o dever de continuarmos avaliando nossos tesouros e nossos procedimentos.
Com esse episódio de 90 minutos, ficam muitas perguntas. Temos a obrigação de investigar a perda de tão inestimável valor natural e público. Para ser mais claro, que pertencia a todo cidadão.
Resistiriam essas jaulas a testes de resistência? Alambrados têm baixa resistência e sua trama construtiva é de fácil desmonte. A construção, recinto, se baseia na sua fixação em troncos de madeira alojados no piso de terra que sofrem há anos a ação do tempo. Conheço alguns zôos e nunca vi animais de grande porte com esse tipo de proteção. De quem é a Responsabilidade Técnica (ART) da construção desses espaços? Se houvesse ocorrido mortes humanas não seriam os tigres os responsáveis. Seriam?
Antonio Sérgio Sanches - RG 9.827.168