08 de julho de 2026
Geral

Morador pode levar lixo ao aterro

Ieda Rodrigues e Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 3 min

Uma alternativa para livrar-se do lixo doméstico acumulado nos quintais e ruas de Bauru devido à greve dos coletores, que ontem completou cinco dias, é levá-lo por conta própria ao aterro sanitário. Localizado ao lado das Penitenciárias 1 e 2 de Bauru, a cerca de 15 quilômetros do Centro da cidade, o aterro funciona 24 horas por dia.

Cumprindo o exigido por lei, 30% dos 100 coletores de lixo estão trabalhando. Mas com a coleta parcial, a quantidade de lixo acumulado vem aumentando. No final da tarde de ontem, a estimativa da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) era de que 800 toneladas de lixo estavam nas ruas para serem recolhidas.

Ontem, vários caminhões, contratados por empresas e condomínios, despejaram lixo no aterro, segundo a assessoria de comunicação da Emdurb. Mas qualquer pessoa pode levar o seu lixo doméstico ou da empresa com seus veículos particulares. De acordo com a assessoria da Emdurb, a única exigência feita é que o veículo com o lixo seja pesado na entrada e saída do aterro sanitário.

A Emdurb informa que essa prática é adotada porque é preciso controlar a quantidade de lixo depositada no aterro. É que, seguindo as normas técnicas, todo o lixo precisa ser compactado e coberto por terra. O aterro de Bauru recebeu nota 9,5, numa escala de 1 a 10, na última avaliação feita pela Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental (Cetesb).

Ontem à noite, num ato de protesto, um grupo de moradores do Núcleo Mary Dota depositou vários sacos de lixo em frente à Regional Administrativa do bairro. Damião Franco, um dos manifestantes, explica o motivo da atitude. “A Emdurb divulgou que a coleta aqui no bairro seria na quarta-feira, mas o caminhão não passou. É um ato pacífico, mas estamos cobrando a coleta”, diz.

Já existem carroceiros oferecendo-se para coletar o lixo das residências mediante a cobrança de uma taxa. Ontem, um carroceiro passou no Núcleo Mary Dota cobrando R$ 1,00 para levar o lixo. Mas a Emdurb orienta a população a não contratar esse serviço porque não há garantia de que o material será depositado no aterro sanitário.

O lixo pode acabar sendo deixado em terreno baldio ou outra área inadequada. Além do risco de contaminação do solo, os detritos ao ar livre, ao entrar em decomposição, exalam mau cheiro e tornam-se criadouros de moscas e outros bichos, inclusive o mosquito palha, transmissor da leishmaniose.

A entrega do lixo no aterro é uma alternativa até a Emdurb contratar uma empresa para fazer a coleta provisoriamente ou os coletores encerrarem a greve. Porém, a Emdurb adiou para a próxima semana a decisão de contratar ou não uma empresa de coleta de lixo em caráter de emergência. Entretanto, está agendada para às 15h de segunda-feira uma reunião entre o Sindicato dos Servidores Municipais (Sinserm) e o prefeito Nilson Costa (PTB) para discutir a greve.

Balanço

A diretora do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sinserm) Eliana Martins calcula que cerca de 2,5 mil dos 6.310 funcionários da prefeitura estão paralisados. O comando de greve aguarda, para os próximos dias, a adesão do setor da saúde. “O Pronto-Atendimento Infantil (PAI) e o Pronto-Socorro (PS) Central já estão elaborando as escalas para manter o atendimento mínimo de 30%”, relata.

O Sinserm chegou a anunciar que funcionários da saúde iriam cruzar os braços ontem, mas a previsão acabou não se consumando. Nos PSs e Unidades Básicas de Saúde (UBS) percorridos pela reportagem, o atendimento à população foi normal.

A dona de casa Ana Selma, usuária do PS do Jardim Bela Vista, está apreensiva com a possibilidade do setor da saúde aderir à greve. “A população não tem nada a ver com esse impasse”, reclama.

Segundo a assessoria de imprensa da prefeitura, 256 servidores municipais faltaram ao trabalho ontem, 24 a mais do que havia sido registrado no dia anterior. De acordo com a administração municipal, o único setor em que há paralisação total é o da coleta.