“O Pato”, “A Casa”, “São Francisco”, “Corujinha”, “O Pinguim”, “O Filho Que Eu Quero Ter”, entre outros 32 poemas de Vinicius de Moraes publicados na obra “A Arca de Noé”, na década de 70, fizeram parte do inconsciente de crianças e adultos na época.
Nos anos 80, essas poesias foram musicadas por Toquinho e outros nomes da MPB (como Milton Nascimento, Clara Nunes e Chico Buarque), e reunidas em dois volumes de uma coletânea homônima ao livro. Resultado: se transformaram em clássicos da música brasileira infantil, que até hoje permanecem eternos.
Pelo menos é o que atesta o trabalho do cantor paulistano Carlos Navas. Ele estréia amanhã, às 11h, no ginásio do Serviço Social do Comércio (Sesc), seu mais novo projeto, o show “Na Arca de Noé”. Dedicada ao público infantil, a apresentação faz uma releitura das canções já citadas, além de arranjos para pérolas como “As Abelhas”, “O Relógio”, “O Girassol”, “A Galinha d’Angola”, num repertório de músicas.
“Minha intenção é constatar a eternidade dessas canções, afinal quem não sabe cantar ‘Lá vem o pato... pato aqui pato acolá.. (trecho de ‘O Pato’), diz Navas em entrevista por telefone ao Jornal da Cidade. “Estou trazendo um repertório que nunca se perdeu, ele está presente na cabeça de todo mundo”, ressalta Navas. Ele subirá ao palco acompanhado de Adriano Magoo (teclado e sanfona) e Wlágones Carvalho (percussão).
Com oito anos de carreira, Navas possui três discos lançados, shows musicais com Clarisse Abujamra, Alaíde Costa, Tetê e Alzira Spíndola e projetos voltados à terceira idade, mas nunca havia experimentado trabalhar com a música infantil. “Faltava alguma coisa para esse público”, conta o artista. Pensando nisso, ele buscou desenvolver um show carregado de fantasia e interatividade com as crianças.
O cenário é a própria representação da arca de Noé e convida os pequenos a conhecerem a histórias dos personagens, como a galinha d’ango- la, peru, pinguim, gato, leão e outros bichos. “É um show simples, mas que mexe com esse aspecto lúdico através das canções”, destaca Navas, que utiliza um figurino especial com óculos coloridos e três chapéus diferentes no palco.
• Serviço
Carlos Navas apresenta o show “A Arca de Noé” amanhã, às 11h, no ginásio do Sesc. Avenida Aureliano Cardia, 6-71. Informações: (14) 3235-1750.
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'O Pato'
Lá vem o pato
Pato aqui pato acolá
Lá vem o pato para ver o que é
que há
O pato pateta pintou o caneco
Surrou a galinha
Bateu no marreco
Pulou do puleiro
No pé do cavalo
Levou um coice criou um galo
Comeu um pedaço de genipapo
Ficou engasgado
Com dor no papo
Caiu no poço
Quebrou a tijela
Tantas fez o moço que foi pra panela
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'Corujinha'
Corujinha, corujinha
Que peninha de você
Fica toda encolhidinha
Sempre olhando não sei que
O teu canto de repente
Faz a gente estremecer
Corujinha, pobrezinha
Todo mundo que te vê
Diz assim, ah! coitadinha
Que feinha que é você
Quando a noite vem chegando
Chega o teu amanhecer
E se o sol vem despontando
Vais voando te esconder
Hoje em dia andas vaidosa
Orgulhosa com quê
Toda noite tua carinha
Aparece na TV
Corujinha, corujinha
Que feinha que é você!
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'A Casa'
Era uma casa muito engraçada
Não tinha teto, não tinha nada
Ninguém podia entrar nela, não
Porque na casa não tinha chão
Ninguém podia dormir na rede
Porque na casa não tinha parede
Ninguém podia fazer pipi
Porque penico não tinha ali
Mas era feita com muito esmero