As mulheres pagam menos que os homens na hora de contratar o seguro para um automóvel? A melhor resposta para esta pergunta, que muitos acreditam ser a mais fiel expressão da realidade do mercado, é sim e não, pois nem sempre a ala feminina leva vantagem sobre a masculina na hora de fechar negócios com as companhias do ramo.
Mas quais os motivos da existência destas impressões favoráveis sobre as mulheres? As responsáveis principais são as estatísticas do setor, que apontam que a ala feminina roda menos com o carro, se expõe menos a riscos, é mais cautelosa e normalmente dirige em velocidade mais baixa que a masculina.
Além disso, dados também revelam que as colisões dos homens provocam 25% mais perdas totais e a freqüência de roubo e furto é 21% maior entre eles. Mas mesmo tantos números favoráveis, que as seguradoras se baseiam para definir o custo final das apólices de seguro, não garante sempre benefícios financeiros às mulheres.
Quem explica as razões para isso ocorrer é o corretor Edson Aparecido de Almeida, de uma empresa bauruense do setor. Ele logo esclarece um dos porquês: “O simples fato de ser mulher não é suficiente para lhe garantir um valor de seguro mais barato ou ter privilégio em relação aos homens”, enfatiza.
Edson esclarece que, além do sexo, o custo das apólices é diretamente dependente de uma série de fatores, como idade, estado civil, tempo de habilitação e o fato de ter ou não filhos. “O perfil do segurado como um todo é que determinará o quanto ele irá pagar, e não apenas se ele é homem ou mulher”, ressalta.
Segundo o corretor, esta é a razão para uma mulher chegar a pagar até mais que um homem. Isso ocorre quando ambos têm veículo igual e mesma faixa etária, mas diferentes estados civis. “Ele terá seguro mais barato se o mesmo for casado e ela divorciada”, afirma Edson. “A tendência neste caso é a mulher ter vida social mais intensa que o homem e usar mais o carro. Com isso, os riscos aumentam”, destaca.
Apesar disso, o corretor sustenta que em diversas ocasiões o público feminino consegue contratar um seguro mais em conta que o masculino. Entretanto, Almeida pondera que as diferenças finais de valores são pequenas. “Não é algo significativo, pois pode variar para mais ou para menos, de acordo com as regras das seguradoras, em no máximo 15%”, argumenta.
E é por causa dessas diferenças que o corretor recomenda para a necessidade de fornecer as informações corretas no momento da elaboração do perfil. “Não é prudente mentir a fim de beneficiar-se com um valor menor do seguro”, adverte Almeida.
A explicação para o fato é que, em caso de sinistro, as seguradoras investigam para saber se o beneficiário não mentiu para obter desconto indevido. “Se for comprovada uma fraude, a empresa poderá não pagar a indenização, principalmente se o acidente for de grandes proporções”, alerta.
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Mais 'privilégios'
“Privilegiadas” pelas estatísticas, as mulheres ainda acham que as seguradoras deveriam fornecer descontos maiores na hora de contratar um seguro. É o caso da comerciante bauruense Valéria Rothberg Gimael, cliente das companhias do ramo há cerca de 20 anos.
Mesmo não tendo se preocupado em ganhar um abatimento maior no momento das cotações de preços do serviço, ela considera que, se as estatísticas favorecem o público feminino, nada mais justo do que as seguradoras reconhecerem os fatos. “Deveríamos ser mais premiadas por elas com custos menores, pois os números provam que damos menos prejuízo que os homens”, sugere Valéria.
A comerciante também crê que as mulheres sejam mais cuidadosas ao volante em relação aos homens. “Eles são mais impulsivos, diferentemente delas, que não chegam a tomar atitudes mais drásticas em problemas corriqueiros do trânsito. A mulher é menos violenta”, sustenta.
Outra que levanta a bandeira pelos “descontinhos” a mais é a operadora comercial bauruense Cássia Cilene Reghini, que, a exemplo de Valéria, também não “esquentou” a cabeça para tentar valores menores pelo fato de ser mulher. “Realmente, não me preocupei com isso, mas acho que o fato do sexo feminino envolver-se menos em acidentes tinha de contar muito no preço”, frisa.
Entretanto, apesar de considerar as mulheres mais “lights” no trânsito, Cássia classifica-se como uma exceção à regra. “Sou meio estressadinha, pois odeio dirigir em Bauru. Falta muito respeito aqui”, confessa. Mas ela orgulha-se de, guiando já há 17 anos e rodando atualmente cerca de 3 mil quilômetros semanais, nunca ter envolvido-se em acidentes. “Só bateram em mim”, conta.
Já a bauruense Claudete Aparecida dos Santos Vieira acredita não haver diferenças entre os valores dos seguros masculinos e femininos. “Todos podem igualmente envolver-se em acidentes”, justifica. Só que ela também “puxa a sardinha” para as mulheres. “O homem não tem paciência no trânsito e fica apertando a gente. Desta forma, além de dirigir para mim tenho de cuidar dos outros”, afirma.