Os telhados das três Escolas Municipais de Ensino Fundamental (Emefs) que apresentaram problemas continuam escorados. Dois anos e três meses após serem inauguradas, foram identificadas as falhas estruturais.
São elas a Emef “Irmã Thereza Tárzia”, localizada no Núcleo Nobuji Nagasawa (Bauru 2000); Emef “Maria Chaparro Costa”, do Parque Santa Edwirges; e Emef “Nacilda Campos”, que fica no Jardim TV. As três foram iniciadas em junho de 2000 e entregues em dezembro do mesmo ano.
As Emefs foram construídas pela empresa Catar Projetos e Serviços Limitada, com custo individual estimado em R$ 350 mil. O contrato prevê prazo de garantia de cinco anos para o serviço. A empresa deve ser acionada pela Prefeitura de Bauru para fazer os reparos necessários.
Os problemas foram detectados por engenheiros da Secretaria Municipal de Obras (SMO), que apontaram deformações nas estruturas de madeira que sustentam os telhados. O problema é similar nas três escolas.
As falhas são visíveis até mesmo aos olhos leigos. Grande parte das treliças de madeira, mais conhecidas como “tesouras”, estão inclinadas. Onde deveria haver chapas de metal para sustentar a estrutura, há apenas parafusos. Peças que deveriam ser inteiriças têm emendas.
As rachaduras em determinadas peças de madeira indicam a possibilidade de colapso da estrutura. De acordo com o engenheiro Marco Antônio Messi, da SMO, algumas normas foram desobedecidas.
Por esse motivo, assim que o problema foi detectado a prefeitura providenciou o escoramento preventivo do telhado, como o objetivo de garantir a segurança dos alunos e funcionários que freqüentam as Emefs. As atividades escolares continuam sendo realizadas normalmente.
Na opinião do engenheiro Marcos Wanderley Ferreira, diretor da Associação de Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos (Assenag) de Bauru, aparentemente, o problema é de erro de execução.
“As tesouras não estão bem feitas e a madeira provavelmente estava verde na época da execução. Além disso, as emendas não estão feitas de acordo com as normas”, avalia.
Ele acredita que, nesse caso, a responsabilidade é da construtora. Entretanto, diz que a prefeitura deveria fiscalizar a execução da obra. “Deveria ter um fiscal. Não sei se teve. O fiscal deteria ter tomado alguns cuidados no sentido de conferir a qualidade da madeira”, afirma Ferreira.
Para saber mais precisamente onde ocorreu o erro, seria necessário fazer um estudo mais profundo e um laudo técnico. “Dá para falar que as treliças estão entortando, que algumas mudaram de posição e que há o risco de desabar. Para falar que foi erro do projeto, por exemplo, teria que fazer uma avaliação mais profunda”, justifica.
O engenheiro elogia, entretanto, a iniciativa de escorar os telhados. “A atitude de colocar um apoio para evitar problemas foi correta. Se deixasse do jeito que estava, estaríamos colocando as crianças em risco. Corria o risco de desabar. Dessa forma não. As madeiras estão escorando sem nenhum risco de desabamento”, destaca.
O JC nos Bairros tentou localizar os responsáveis pela empresa Catar, mas ninguém foi encontrado para comentar o assunto.
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Prefeitura
O JC nos Bairros solicitou à prefeitura os projetos das escolas que apresentaram problemas nos telhados com o objetivo de saber se há um projeto detalhado e, posteriormente, se ele foi respeitado na época da construção.
O secretário municipal de Obras, José Ângelo Padovan, informou que não foi possível ter acesso a essa documentação devido à greve dos servidores municipais. A paralisação teria prejudicado a comunicação dos funcionários do Departamento de Construção Civil com a secretaria.
Padovan alega que parte do problema deve-se à qualidade do material empregado na obra. “A madeira não estava totalmente seca quando foi utilizada. Além disso, há alguns aspectos construtivos inadequados. São detalhes que poderiam ter sido melhor executados”, avalia o secretário.
Sobre a fiscalização, o titular da pasta não forneceu muitos detalhes. Além de não ocupar o cargo de secretário na época da construção das escolas, ele afirma que, quando os problemas foram detectados, ele não se ateve a todos os detalhes durante a visita que fez às Emefs.
Portanto, não pode afirmar se os problemas poderiam ter sido constatados durante os trabalhos. “Não posso te dizer sobre a fiscalização. Não verifiquei detalhe por detalhe”, alega.
Padovan enfatiza que a prefeitura está tomado todas as medidas jurídicas cabíveis para solucionar o problema.
“Entramos com solicitação para que o jurídico intervenha e peça para a empresa fazer a reforma do telhado sob nossa inspeção. Também pedimos produção antecipada de provas para que a própria prefeitura possa iniciar o serviço. As despesas seriam repassadas à empresa”, explica.
No caso das escolas, o secretário diz que “não vê” prejuízo para a população. “As aulas estão correndo normalmente. Não tem risco. Aquilo pode não cair nunca”, afirma.