26 de maio de 2026
Bairros

Asfalto da avenida Getúlio Vargas é mais um exemplo

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 3 min

A pavimentação do trecho recém-duplicado da avenida Getúlio Vargas é mais um exemplo de obra que deixou a população descontente com o resultado apresentado.

Pouco mais de um mês após a inauguração, o asfalto apresentou sinais de desgaste, como buracos e pedras soltas. A aparência era de que o material estava se esfarelando.

O problema foi verificado principalmente nas quadras 23 a 25 e nas rotatórias da avenida. Em geral, a vida útil do asfalto é de 15 a 20 anos.

A duplicação entre as quadras 17 e 25 teve início em abril do ano passado e incluiu instalação de galerias de águas pluviais, guias, sarjetas e asfalto. O custo total da obra aos cofres municipais foi de cerca de R$ 1 milhão.

A empresa Transtécnica Construções, responsável pela pavimentação da via, realizou reparos sem qualquer custo adicional para a Prefeitura de Bauru.

Na opinião do engenheiro Wladimir Coelho, especialista em pavimentação asfáltica, os problemas que ocorrem nas vias públicas de Bauru em geral são decorrentes de falta de controle tecnológico. “Não acompanho de perto, mas aparentemente não tem”, diz.

Além disso, ele explica que a “receita” do asfalto utilizada em bairros onde há pouco tráfego não pode ser empregada em vias de trânsito intenso de veículos, como é o caso das avenidas Getúlio Vargas, Nações Unidas e Rodrigues Alves, entre outras.

“Há deficiência no processo de execução. A pessoa se acostuma a fazer pavimento para fundo de vila. Se deu certo na vila, ela acha que sabe fazer e quer fazer em avenidas maiores. A grande maioria do pessoal que executa pavimento em Bauru está acostumada a fazer pavimento para locais de baixo tráfego”, expõe.

Um pavimento bem feito, de acordo com Coelho, deve suportar as duas grandes ações que podem destruí-lo - tráfego e intemperismo (chuva e variações de temperatura).

Um dos principais parâmetros que devem ser controlados, segundo o especialista, é a temperatura da mistura no momento em que ela é colocada no solo. Ela deve estar entre 130 e 150 graus.

“Esse tipo de controle, de modo geral, não é feito. Isso já é um problema. Isso gera uma camada asfáltica mais fraca, com problemas”, explica.

Outro parâmetro importante é o grau de compactação. “Se o grau certo de compactação não for atingido, como aparentemente ocorreu na Getúlio Vargas, o asfalto começa a esfarelar. Ou a massa foi compactada fria ou ela foi mal compactada”, conclui o engenheiro.

Coelho acrescenta que outro problema pode ter ocorrido na pavimentação da Getúlio Vargas: quantidade incorreta de ligante asfáltico na mistura. Trata-se de um líquido preto que faz com que as pedras liguem-se umas às outras.

“Se a quantidade de ligante for excessiva, pode dar alguns problemas, como já aconteceu na avenida Nações Unidas. O asfalto começa a escorregar para as laterais”, diz.

Problemas de quantidade incorreta de pedras na mistura também podem ocorrer, mas são menos importantes, de acordo com Coelho. Ele afirma que não é difícil fiscalizar tais procedimentos.

“É preciso ter gente treinada e fazer os controles. Mas, em Bauru, esses pavimentos são executados sem o controle tecnológico adequado. Tudo é feito às pressas, na correria. Querem fazer hoje para inaugurar amanhã”, salienta.

“Não vou dizer que a prefeitura não tem boa vontade. As coisas em Bauru são feitas com boa vontade, mas sem tecnologia. E só boa vontade não resolve”, afirma.