Todo mundo luta para ter mais e mais. Nunca está satisfeito. É uma busca contínua. É a luta de todo o dia. É uma luta justa, uma luta necessária. Mas buscar somente o ter não satisfaz o coração. Não é tudo. Se fosse tudo, se isso pudesse satisfazer, haveria muito mais gente contente, muito mais gente feliz da vida. Conheço gente vazia. Tem tudo o que é necessário por fora e está vazia por dentro.
Há quem tudo tem economicamente e nada tem de pessoa, nada tem de gente. Há quem, no meio do conforto, tem vontade de sumir. Há quem tendo uma profissão super-rendosa, tem vontade de tudo abandonar. Há quem tem dentro de casa tudo o que é confortável: vários televisores, sofás bem na moda, som superestereofônico, eletrodomésticos de todos os tipos, camas supermacias, coleção de bebidas internacionais... e foge de casa para não ver nada disso, porque tudo isso encheu a vida por fora e a esvaziou por dentro.
De que vale a casa grande se a vida é tão pequena? De que vale sentar num sofá macio se o coração não tem onde repousar? De que valem as músicas mais lindas do mundo se os ouvidos não podem escutar palavras de segurança e carinho? De que vale todo conforto para o corpo, se o espírito não tem a suavidade de uma prece? Ser gente é muito mais do que ter. Ser gente é cultivar em primeiro lugar valores que não passam, valores que enchem o coração. As coisas apodrecem e nada do que é material resiste ao tempo. Quem tem o coração cheio de religiosidade autêntica, pode sentir vazio de saúde, de trabalho, de bens materiais, de amigos e suficientemente forte para assim mesmo amar a vida? Gente vazia é quem pensa no ter sem nunca pensar no ser.
Izabel Ramos