Os servidores municipais de Bauru entram hoje na segunda semana de greve por reajuste salarial, com adesão maciça dos coletores de lixo. Apenas 30% dos coletores estão trabalhando, em cumprimento à lei, por se tratar de um serviço essencial. A estimativa é que o lixo acumulado já ultrapassa a 1 mil toneladas.
Por dia, Bauru produz cerca de 210 toneladas de lixo, que está acumulando-se nas ruas e quintais das casas. A assessoria de imprensa da prefeitura informou, na sexta-feira, que a administração receberá o Sindicato dos Servidores Municipais (Sinserm) às 15h de hoje para discutir a greve, mas até o início da noite de ontem a entidade não havia sido notificada oficialmente para o encontro.
De acordo com o sindicato, cerca de 2,5 mil dos 6.310 funcionários da prefeitura estão paralisados. Na sexta-feira, a entidade chegou a anunciar a paralisação no setor da saúde, mas os prontos-socorros funcionam normalmente. Para a prefeitura, além da coleta de lixo, que está funcionando só com 30% dos funcionários, a adesão à greve é menor: na sexta-feira, segundo a prefeitura, apenas 256 servidores faltaram ao trabalho.
O Sinserm reivindica 78% de reposição salarial, mas aceita suspender a paralisação caso o prefeito Nilson Costa (PTB) se comprometa a aumentar os vencimentos dos funcionários em 6,5%. Além disso, os grevistas pedem a atualização do valor do vale-compra, de R$ 132,00 para R$ 200,00.
O problema é que o prefeito já deixou claro que não está disposto a conceder nenhum reajuste no momento. Ele argumenta que os salários tiveram aumento de 8% em março, mês em que o vale-compra subiu 7%. Nilson se baseia na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) para dizer que a prefeitura gasta, atualmente, 51,4% do orçamento com folha de pagamento.
O limite permitido é 54%, mas o chefe do Executivo afirma que recebeu comunicado do Tribunal de Contas do Estado (TCE) alertando para o fato de que o índice atual já não permite reajuste salariais. O Sinserm cita a Constituição Federal para defender a legalidade do reajuste, dizendo que o índice máximo permitido pela LRF pode ser ultrapassado quando se trata de revisão salarial, como quer o sindicato.
Por outro lado, o prefeito também alega que a lei eleitoral não permite mais, a esta altura, aumentar salários. O Sinserm também tem reunião agendada para às 13h30 no Ministério Público do Trabalho, em Campinas, para discutir especificamente a paralisação na coleta de lixo. A reunião foi pedida pela Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb).
A população, porém, pede uma solução para o impasse. O comerciante Rafael Bien, que tem um estabelecimento do ramo alimentício na quadra 19 da rua Antônio Alves, cobra a retomada do serviço. “Tem lixo espalhado pelas quadras 18, 19 e 20, que não tem coleta desde segunda-feira passada”, relata.
Bien conta que já pagou um caminhão para recolher o lixo de seu estabelecimento e um funcionário está limpando a calçada. “O lixo foi ficando acumulado e cachorros e gatos rasgaram os sacos, deixando tudo espalhado. É uma rua de restaurantes. Se não limpar não tem como entrar para comer”, frisa. A Emdurb deixou para esta semana a decisão de contratar ou não uma empresa para coletar o lixo se a greve continuar.
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A coleta de lixo hoje
Diurna
• Pousada da Esperança 1 e 2
• Parque City
• Núcleo Mary Dota (parte baixa do bairro)
• Bauru 1
• Vila Conceição
• Jardim Araruna
• Jardim Eldorado
• Vila Santa Luzia
• Jardim Flórida
• Núcleo Beija-Flor
• Vila Industrial
• Núcleo Édson Francisco da Silva
• Vila Nova Esperança
• Centro
Noturna
• Vila Falcão
• Vila Pacífico
• Vila Souto
• Vila Bela
• Vila Martha
• Altos da Cidade
• Vila Mesquita
• Vila Noemi
• Vila Santa Tereza
• Vila Régis
• Jardim América
• Centro
Fonte: Emdurb