A baixa freqüência de público registrada em algumas unidades do programa Escola da Família - Espaços da Paz, especialmente nas instituições de ensino estaduais que ficam na região central ou em bairros nobres de Bauru, fez a coordenação do projeto alterar o perfil do público-alvo e das atividades desenvolvidas nesses locais.
O programa foi lançado em maio do ano passado e começou a ser implantado em agosto. O objetivo é abrir as escolas estaduais à comunidade durante os finais de semana. A maior procura tem sido verificada nos estabelecimentos de ensino da periferia, onde tradicionalmente há poucas opções de lazer.
A supervisora de ensino Gina Sanchez, responsável pelo programa em Bauru, explica qual foi a primeira mudança promovida nas escolas que apresentaram freqüência abaixo da expectativa. “Nós fizemos uma divulgação mais ampla, principalmente onde não há uma comunidade própria”, afirma.
Segundo ela, o destaque dado às atividades esportivas e culturais, que costumam despertar maior interesse, também foi ampliado. “A partir daí, passamos a ouvir os participantes para saber o que eles querem e, com isso, o trabalho ficou mais simples”, comenta.
Sanchez explica que, em alguns lugares, o público-alvo deixou de ser limitado a alunos e familiares. Na escola estadual Silvério São João, por exemplo, as atividades passaram a ser voltadas para os pacientes do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da Universidade de São Paulo (Centrinho/USP).
Monitores do Escola da Família percorreram cerca de 30 pensões e pousadas que ficam próximas à escola com o objetivo de divulgar o programa para os pacientes e seus familiares.
O educador pofissional Marcelo Wanderlei Barreira afirma que a campanha surtiu efeito. “Nossa freqüência aumentou 70%. Adotamos essa prática porque o pessoal que mora ao redor da escola não vem procurar lazer aqui, e sim nos clubes”, argumenta.
A dona de casa Rosângela Silva Celestino veio de Montes Claros (MG) há cinco dias para acompanhar o tratamento do filho no Centrinho. Ontem, ela esteve pela primeira vez na escola e participou da aula de bordado. “Estou gostando bastante. Se eu não estivesse aqui, ficaria sem fazer nada. Pretendo vir outras vezes e quero aprender várias coisas”, comenta.
A coordenadora do programa afirma que as escolas estaduais Mercedes Paz Bueno e Rodigues de Abreu também desenvolveram campanhas semelhantes. Atualmente, segundo ela, registram freqüência média de 300 pessoas a cada final de semana. No Centro de Atenção Integral à Criança (Caic), um dos campeões de público, o número de participantes chega a 1.000.
Bolsa
Gina Sanchez afirma que as 39 escolas estaduais de Bauru integram o programa. As atividades são coordenadas por cerca de 400 universitários, que recebem um desconto de até R$ 552,00 nas mensalidades em troca do trabalho prestado. Metade do valor é custeado pelo governo do Estado e o restante pela instituição de ensino.
A monitora Renata Giancoli, que cursa letras na Universidade do Sagrado Coração (USC), afirma que a bolsa foi fundamental para que ela continuasse estudando. “Se não fosse a ajuda de custo, ficaria muito difícil para mim”, relata.
Entre os participantes, a avaliação também é positiva. “Se eu não viesse até a escola jogar bola, estaria em casa, sem fazer nada”, declara o estudante Dekster Richard.
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Consciência
A coordenadora do Programa Escola da Família em Bauru, Gina Sanchez, afirma que uma das conquistas do projeto foi diminuir o número de pichações e depredações contra os estabelecimentos públicos de ensino. “Os alunos que não estavam tão enturmados durante a semana sentem, agora, que a escola também é deles”, argumenta.
Segundo ela, números do governo estadual indicam que houve uma queda de 50% no número de atos de vandalismo nos locais que fazem parte do programa.
Para o professor Ivo Pereira Júnior, que também trabalha no setor de coordenação do projeto, a conscientização dos alunos passa também pela presença dos pais nas escolas aos finais de semana. “Eles participam das atividades, se integram e nos ajudam a preservar os prédios”, comenta.