09 de julho de 2026
Articulistas

O ódio ao Ocidente e as cruzadas modernas


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A civilização urbana, como a conhecemos, surgiu no Oriente Médio e no Egito e se propagou pelo Ocidente europeu deixando muitas marcas.

O Oriente sempre forneceu mercadorias para a Europa e influências culturais das mais diversas, mas a relação entre Ocidente e Oriente começou a se deteriorar quando, em nome de Cristo, a Europa tentou resolver o seu excesso de população e estagnação econômica através das Cruzadas Orientais.

Do século XI até o XIII, milhares de expedições populares e oito oficiais invadiram o Oriente Médio com a desculpa de libertar o Santo Túmulo de Cristo, em Jerusalém, das mãos dos muçulmanos infiéis.

Em nome da religião foram cometidas atrocidades contra as populações orientais, que nunca se esqueceram do acontecido. Sua cultura oral propagou pelas gerações futuras o comportamento dos europeus contra o Oriente. Foram estupros, mortes na fogueira, torturas aviltantes e até atos de canibalismo contra as populações do Oriente estarrecido.

Depois de tanto tempo, esse ódio que o Oriente Médio nutria pelos europeus passou a ser estendido a todo o Ocidente de forma generalizada, como se fôssemos uma só cultura, uma só realidade, como se tivéssemos, todos, o mesmo poder e o mesmo interesse sobre as riquezas da região.

Para complicar e ampliar o engano, os EUA invadem o Iraque para proteger os seus interesses energéticos sobre o petróleo da região – segunda maior jazida de petróleo do mundo, ficando atrás apenas da Arábia Saudita – sozinho, como tropa de libertação, e se comportam como se fossem novos cruzados que, usando levianamente o nome da fé, cometem abusos, aumentando a ódio já existente contra o Ocidente.

Sem conseguir o auxílio da maioria dos países ocidentais e desprezando o ONU, os novos cruzados embarcaram nessa arriscada empreitada militar, esquecendo que derrotar é fácil, em especial quando as armas são melhores e mais potentes, mas ocupar é algo bem diferente.

E, como se não bastasse, as tropas de ocupação dos EUA, apoiadas pela Inglaterra e alguns poucos países europeus, cedem à tentação do uso da força e da tortura contra prisioneiros de guerra para “amaciá-los” em futuros interrogatórios. Tudo isso sem falarmos na questão palestino-israelense ,em que os novos judeus e os palestinos são massacrados com o aval da hegemonia norte-americana, complicando ainda mais as possibilidades de entendimento e fim do ódio entre Ocidente e Oriente. (O autor, Fábio Paride Pallotta, é professor de história do Ensino Médio e de pré-vestibular)