26 de maio de 2026
Articulistas

Rebeldias razoáveis


| Tempo de leitura: 2 min

Já se mostravam os bauruenses largamente impacientes encontrando, dias consecutivos, nas calçadas de suas residências, os mesmos pacotes de lixo que ali tinham depositado anteriormente. Revelavam-no, sem rebuços, não só nos seus sucessivos encontros com amigos, mas em princípio, nos contatos com as reportagens do rádio, televisão e jornal, às quais manifestavam sua tristeza pelo problema, o primeiro do gênero que estavam enfrentando, tanto que, à falta de experiências anteriores, ignoravam perspectivas viáveis para sua solução ou mesmo para contorná-lo. Felizmente, porém, a guerra dos coletores de detritos domésticos cessou, acabou mesmo, satisfazendo à administração municipal e, naturalmente, à população atendida pelo importante serviço, esperando ela não voltar a ser molestada por outra paralisação da equipe, para o que terá a prefeitura de cranear melhor política salarial para a área, na qual os vencimentos do pessoal venham a condizer, justiceiramente, com a significação do trabalho que a turma exerce, imprescindível higienização da cidade, o que, salutar à vida dos habitantes, tem de sê-lo também para os olhos dos nossos visitantes, os quais não podem ter o desprazer de ver Bauru exibindo artérias maltratadas ao invés de lhes mostrar ruas e calçadas limpas e bonitas, como convém a uma “Capital da Terra Branca”.

Não se duvida de que, na consonância do acordo estabelecido entre a municipalidade e a entidade dos grevistas, quase nada falta para que a fisionomia da urbe reassuma seus traços anteriores, com as montanhas de lixo urbano totalmente recolhidas por quem de direito e transportadas para os depósitos da periferia, dos quais não canalizarão mau cheiro e, nem, principalmente, elementos nocivos à saúde da nossa queridíssima gente, que jamais deixou de se preocupar em ter uma qualidade de vida excepcional, para cuja conquista desenvolvendo o maior carinho, todo esforço imaginável, contando por isso, no caso presente, com a impostergável abnegação dos coletores dos pacotes, exercida inclusive sob as intempéries do sol e da chuva sem a devida retribuição financeira dos cofres públicos, razão pela qual a sua greve revestiu-se com o sagrado manto da justiça. É a nossa opinião.

O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.

“É preciso ter-se um momento disponível para se ficar só com os segredos, aqueles que se escondem sob a pele e os que adormecem fundo nas entranhas”