08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Cheiro de saudade


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O trem, composto de locomotiva de tração a vapor, ao avançar a escuridão deixava um vago resplendor nas trevas da noite.

Sua desativação na região foi sentida sobremaneira. Chegam as festas juninas: o primeiro São João sem volta do noturno. Fazia frio e como eu estava triste, o frio parecia mais frio: havia no ar densa nostalgia; balões bojudos e multicores subiam indecisos buscando o desconhecido: afogando-se nas brumas; foguetes riscavam o céu, procurando ninguém sabia o quê; desenhando caminhos, ninguém sabia para quem; busca-pés corriam pelo chão atrás, talvez, de perdidos sonhos; lábios escarlates desfolhavam sorrisos; olhares tinham brilho de astros e umidade de prantos; evolavam-se afetuosas lembrança; dos arcanos da mente os pensares cativos se escapavam; dos corações incautas as paixões fugiam, e andavam à soltas pela noite silente: subvertendo as sombras. E ao apagar-se a fogueira ressurgiu das cinzas, do passado, aquela fumaça branca da nostálgica locomotiva de tração a vapor, envolvendo a noite num acentuado cheiro de saudade...

Wanderley Brosco - RG 2.676.214-6