08 de julho de 2026
Cultura

O ogro está de volta

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 2 min

Quando “Shrek” foi lançado há dois anos o mundo da animação sentiu uma chacoalhada. O filme produzido pelos estúdios Dreamworks (de Steven Spielberg, David Geffen e Jerry Katzemberg, ex-chefão da Disney) mostrou que a técnica da animação digital não renderia belos trabalhos somente nas mãos da Pixar, que até então tinha emplacado sucessos como os dois “Toy Story”, “Vida de Inseto” e acabava de lançar “Monstros S.A.” (todos, magníficos, diga-se de passagem).

Além disso, trouxe um roteiro e um tipo de humor nunca usados antes no gênero, um terreno até então politicamente correto. “Shrek” não tinha nada disso, o “mocinho” era feio, tinha hábitos nojentos e tudo o que queria era ficar só no seu pântano. Seu coadjuvante era um burro falante irritante (por falar demais, claro!) e a princesa era geniosa demais para uma heroína de desenho. Para terminar, a trama mostrava figuras clássicas dos contos de fadas e histórias infantis como os Três Porquinhos, a Branca de Neve e Robin Hood, em situações que em nada lembravam suas aventuras tradicionais.

O resultado agradou crianças, jovens e adultos. O filme foi um estrondoso sucesso de bilheteria e venceu o primeiro Oscar na categoria melhor longa-metragem de animação (batendo o próprio “Monstros S.A.” e “Jimmy Neutron - Menino Gênio”, este último também uma graça).

Assim, não era de se estranhar que o estúdio apostasse numa seqüência. “Shrek 2” tem pré-estréia em todo País hoje, numa exibição especial que vai destinar sua renda para o projeto Criança Esperança. Na próxima semana, o filme entra em rede nacional.

A história desta “parte dois” não muda o conceito do primeiro filme, mas amplia as possibilidades de piadas e gags visuais com as histórias infantis e os filmes de Hollywood. Shrek e Fiona (Mike Myers e Cameron Dias, de novo) vão até o reino da moça para que ele possa conhecer a família dela e é isso, mesmo assim o filme consegue ser mais engraçado e sarcástico que o primeiro, com destaque para a participação do Gato de Botas (dublado por Antonio Banderas), um personagem malandro que rouba a cena. Aliás, graças às figuras que cercam Shrek é que o filme sobrevive (como já foi no primeiro), já que o ogro verde é um tanto quanto chato na verdade.

Quanto à qualidade da animação não há o que dizer. O pessoal da Pixar não vai mais dormir tranqüilo. O único porém é a dublagem nacional que, apesar de boa (o sempre engraçado Bussunda fala pelo ogro) tira um pouco o brilho do trabalho original, principalmente de Banderas (com seu gato de sotaque espanhol) e Eddie Murphy, que mais uma vez faz o burro que não cala a boca. O negócio é esperar o DVD para conferir depois.