08 de julho de 2026
Política

PSDB fecha com PP e agora busca PFL

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 4 min

As especulações sobre o apoio do PP à pré-candidatura a prefeito do empresário Caio Coube (PSDB) foram concretizadas ontem. O presidente da executiva municipal do PP, vereador Paulo Madureira, anunciou oficialmente que seu partido vai compor a Coligação “Muda Bauru”, que já conta com o apoio do PL e do PRP.

A aliança foi anunciada em clima de festa política num hotel do Centro da cidade. Cerca de 100 pessoas - entre dirigentes e militantes - prestigiaram o evento. O ex-deputado estadual Carlos Braga foi considerado a principal ausência. Madureira justificou que Braga já havia assumido compromisso anterior ao agendamento da reunião política. O deputado estadual Pedro Tobias (PSDB) também não compareceu ao evento. Sua assessoria informou que ele estava percorrendo municípios da região.

Além de conquistar um forte apoio político, o PSDB e seu pré-candidato a prefeito vão agregar, com o apoio do PP, mais tempo de televisão durante o horário de propaganda eleitoral gratuita. A aliança proporcionará aos tucanos 1’40” (um minuto e 40 segundos) a mais de televisão, totalizando um programa de 5’10” (cinco minutos e dez segundos) por bloco (serão dois blocos diários - um de manhã e outro à noite).

O anúncio do PP encerra de vez as chances do partido caminhar com a pré-candidatura a prefeito de Tuga Angerami (PDT). Dirigentes e lideranças dos dois partidos não avançaram nas conversações e o pré-acordo que havia sido selado no passado foi desfeito.

“Somar forças”

Segundo o vereador Paulo Madureira, a opção pelo PSDB em detrimento do PDT atende a uma expectativa que visa somar forças. “Anteriormente, dividimos forças. A primeira idéia não era apoiar um candidato, mas um grupo. E desse grupo, tiraríamos um candidato. O PDT, na época, se afastou e a conversação partiu para outro lado e não deu certo. Mas não temos nada contra o Tuga Angerami e desejamos a ele uma boa campanha”, explica.

O parlamentar lembra que as lideranças do PP conversaram praticamente com todos os dirigentes de partidos da cidade. “Nossa intenção era unir a maioria e esquecermos cor partidária, vaidades e picuinhas. A cidade passa por um período político e administrativo muito difícil. O momento é de união de forças”, prega.

Madureira acredita que a Coligação “Muda Bauru” caminha para o resgate das forças políticas que marcaram o passado de Bauru. “Com Caio Coube e Pedro Tobias estamos juntando as forças em prol da cidade. Poderemos refazer a época em que grandes políticos, como Alcides Franciscato, Abrahim Dabus e Osvaldo Sbeghen, traziam verbas para a cidade.”

Satisfeito com o anúncio do PP, o pré-candidato a prefeito Caio Coube e seu grupo político recarregam energias para convencer o vice-prefeito Dudu Ranieri - presidente da executiva municipal do PFL e, até o momento, também pré-candidato a prefeito - a compor com a Coligação “Muda Bauru”.

Os dirigentes dos dois partidos já conversaram no passado, mas não chegaram a nenhum acordo. Em troca do apoio, o PFL exigiu a indicação do vice, mas os tucanos já estavam articulados com o PL, que acabou compondo com Caio Coube e indicou o médico Fernando Monti para a dobradinha.

Dudu preferiu se retirar das conversações e anunciou a pré-candidatura própria. Mas as pressões surgiram. No âmbito estadual, o PFL forma a base de sustentação do governador Geraldo Alckmin (PSDB), cujo vice, Cláudio Lembo, é do PFL. Embora não assumam publicamente, os pefelistas do diretório estadual pressionam Dudu a retirar a candidatura própria e compor com os tucanos.

“O PFL faz parte da lista de partidos com o qual sempre buscamos diálogo. Nunca houve por parte do partido uma manifestação, de forma definitiva, em relação a uma candidatura própria. Num determinado momento, em que tínhamos que definir a coligação, isso dificultou um pouco. Nós, do PSDB, entendemos que uma coligação não se restringe apenas à indicação do cargo de vice. Reconhecemos no PFL um grupo forte. Se vier junto com o grupo, na hipótese de vitória vai governar a cidade conosco”, garante Coube.

O tucano diz que isso significa influência na composição do primeiro escalão da administração. “Significa também o entendimento no plano legislativo. Estamos abertos para esse entendimento, mas a chapa majoritária já está definida”, avisa.

“Só na convenção”

O presidente da executiva municipal do PFL, Dudu Ranieri, diz que o destino do partido nas eleições municipais de outubro será selado na convenção do partido, agendada para o próximo dia 26, um sábado. “Sou o presidente do partido, mas não sou o dono”, diz o pefelista, completando que a decisão será tirada em conjunto com a militância.

“Não posso descartar nada. A política é muito dinâmica. Não tenho mantido contato com o pessoal do PSDB. Falam até de um acordo que teria sido abençoado pelo diretório estadual, mas para mim ninguém falou nada. Estamos totalmente à vontade para decidir, aqui em Bauru, o que for melhor para o PFL”, garante.