08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

VOTO CONSCIENTE OU VOTO NULO


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Algumas pessoas se esquecem do candidato em que votaram em eleições passadas. Eu me lembro perfeitamente em quem votei nas últimas eleições municipais. O meu candidato a vereador foi eleito e muito bem eleito. Porém, mais uma vez, fui enganado como, acredito, muitas pessoas também foram enganadas. Claro que não queria que o meu vereador se lembrasse de mim especificamente, mesmo porque ele não me conhece, mas deveria lembrar-se de toda a população da cidade, de todos os seus eleitores, que não o colocaram na Câmara Municipal para que faça conchavos e acordos puramente partidários, sem nenhum respeito a nós, cidadãos. Um dia são amigos, parceiros, no outro dia são adversários e até inimigos. Mudam de partido como trocam de roupa. Parece que estão num leilão, depende do jogo, de quem dá mais.

Nesses anos de atraso, de inércia em que se encontra a cidade, não podemos culpar apenas a administração municipal. Sabemos que uma das principais funções do Legislativo é fiscalizar o Executivo e parece que isso não tem acontecido, Os mesmos problemas continuam sem solução. E a voz do povo bauruense está calada, porque os nossos representantes estão muito longe de nos representar. Se por acaso os vereadores não tivessem salário e nem assessores, quem iria querer se candidatar? Quem pode acreditar nesses homens públicos vendo o que temos visto todos os dias?

Claro que dentre eles deve haver alguns que estão realmente preocupados com o bem comum, com a sociedade, mas num cesto cheio de frutas podres as que estão boas tendem a apodrecer. No próximo mês começa a campanha para as próximas eleições municipais. Com certeza, você vai se envolver, mesmo que não queira, através da televisão, rádio e jornal. Vai ser abordado na rua com aquelas promessas que, você sabe, não serão cumpridas, como em todas as eleições. As mesmas histórias, os mesmos personagens com algumas mudanças, os mesmos chavões, “eu fiz”, “eu farei”, “vote em quem tem tradição”, “eu sou competente”, “eu sou honesto”, como se a honestidade não fosse uma obrigação de todo ser humano. Votar é, antes de tudo, um direito do cidadão, mas a nossa democracia está tão avacalhada, tão deteriorada, a nossa descrença e a nossa falta de esperança são tão grandes que anular o voto pode ser uma alternativa. A escolha é nossa, somente nós podemos decidir, através do voto, se modificamos ou não essa situação insustentável em que se encontra nossa cidade. (Miguel Garcia - RG: 6.102.027)