Calma, esse artigo não vai tratar dos milhares de buracos espalhados pelo que restou da capa asfáltica de nossa cidade. Mas, de certa forma, tratará daqueles a quem confiamos em maior ou menor grau nossas esperanças quadrienais de um futuro melhor e mais digno para nossas cidades e para nosso povo.
Temos, às vezes, a impressão de que sempre erramos e que nossos votos nas urnas foram jogados no lixo. Impressão essa que talvez não seja tão falsa assim, principalmente quando olhamos para a vida e percebemos que ela está muito pior hoje do que ontem.
Quase tudo nesse imenso País conspira contra aqueles que trabalham honestamente e pagam por isso pesados tributos para aqueles que não trabalhando, nos governam de forma incapaz e medíocre. Vivemos cinco meses de cada ano apenas para pagar aos nossos governantes o preço pela saúde pública que não temos, pelas escolas públicas imundas e sem projeto pedagógico condizentes com nossa realidade, pela segurança inexistente em nossas ruas e favelas.
Pagamos impostos de primeiro mundo para governantes insensíveis de terceiro mundo, que não têm respeito pelos idosos, pelas crianças e por ninguém exceto seus correligionários, partidos e familiares. Um abismo que cresce a cada dia, afastando o povo brasileiro daqueles que deveriam fazer algo em favor da população, tornando-o cada vez maior e mais profundo. É um buraco negro imenso e que destoa dos discursos, promessas e propaganda maciça feitas pelos políticos no rádio e na televisão todos os dias.
Os governantes vivem de marketing, que consegue maquiar pequenas coisas em grandes feitos, mesmos quando esses estão ainda inacabados ou jamais serão realizados naquela gestão. E o povo vive de migalhas e sofre com o desemprego, a fome, a doença, a insegurança, a péssima qualidade do ensino básico, a falta de políticas sociais consistentes, o descaso para com a agricultura, o abandono das estradas e a total falta de investimentos em saneamento básico.
Enquanto os governantes aumentam impostos a cada novo ano fiscal, nós pagamos e não recebemos nada em troca além de promessas. Nada além de conversa mole e fiada que temos que ouvir, principalmente em anos de eleições. Esse descaso inclui também os milhares de vereadores oportunistas que depois de eleitos formam a inominável “base de apoio governista”, que em conluio com o poder estabelecido passam quatro anos pisando em cima do povo.
Aos vereadores juntamos os deputados estaduais, federais e senadores que, muitas vezes, não conseguem um só ato em favor da população de seu Estado em quatro longos anos de mandato. É só troca de partido, licitações suspeitas, encontro com lobistas, maracutaias, jantares pomposos, viagens ao Exterior por conta do erário, e nada em favor dos pobres, das crianças, dos excluídos e da sociedade em geral.
Enquanto não eliminarmos esses maus políticos da vida pública brasileira nenhuma esperança poderá sobreviver no coração do povo, embora, é claro, existam exceções, e nem todos sejam nocivos à nossa sociedade. Mas você já parou para contar quantas são as exceções que existem num universo que envolve milhares de políticos? (Rafael Moia Filho)