11 de julho de 2026
Bairros

Após incidente, jaula dos tigres vira atração no zôo municipal

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Apesar do frio, foi grande a movimentação dos visitantes no Zoológico Municipal de Bauru ontem à tarde. Mesmo com acesso interditado, a jaula de onde escaparam dois tigres no último dia 3 foi uma das mais visitadas.

Mesmo de longe, as pessoas paravam, olhavam e faziam comentários sobre o ocorrido. Tanto a jaula dos tigres quanto a do leão, que fica ao lado, estavam vazias ontem.

Parte da tela de arame que cerca a jaula onde estavam os tigres foi removida para análise da polícia, que investiga a fuga dos animais. O buraco por onde eles saíram não está mais lá, mas mesmo assim o local desperta a curiosidade dos visitantes.

Ricardo de Almeida, 27 anos, e a namorada Letícia Afonso, 25 anos, ambos de Bauru, disseram que estavam ali porque queriam ver de perto a jaula e tentar imaginar como tudo teria ocorrido naquele local.

Depois que os tigres escaparam por um buraco aberto na tela de arame, o macho passou a investir contra o leão, que fica na jaula ao lado, e a fêmea invadiu a área da camela, que recebeu mordidas na pata e na barriga.

O casal teve de ser sacrificado depois que os dardos tranqüilizantes disparados contra eles não surtiram efeito. O leão e a camela passam por tratamento para se recuperar dos ferimentos. Enquanto isso, ambos vão permanecer em local reservado, fora de exposição.

Para Jeferson Batista, 22 anos, que saiu de Lençóis Paulista para fazer uma visita ao zôo de Bauru, mostrava-se indiferente. Segundo ele, o incidente com os animais não aumentou seu interesse pelo local nem lhe deixou com medo.

Fabrícia Aparecida Batista, 22 anos, que estava com ele, também tem a mesma opinião. Ela estava inconformada com a falta da “atração principal” do zoológico: o leão.

Já Kerolyn Priscila Fernandes, 16 anos, também de Lençóis Paulista, acredita que “todo o auê” em torno do assunto acabou atraindo as pessoas.

Na opinião de Solange Aparecida Fernandes, 30 anos, moradora de Jaú, depois de tudo o que aconteceu “dá vontade de ver os bichos”. Infelizmente, eles não estavam lá.

Apesar de toda curiosidade, as visitas podem estar correndo risco na avaliação de Henrique Silva Vieira, 25 anos, também de Jaú. “Se escapou uma vez, é lógico que existe o risco de acontecer novamente”, sentenciou ele.

Para dar a impressão de que a situação está sob controle e que o local é seguro, a direção do zoológico reforçou o policiamento interno.

Ontem, pela primeira vez, cinco guardas municipais permaneceram o dia todo no zoológico, guardando especialmente as jaulas onde estavam os animais ferozes, que, em tese, representam mais riscos aos visitantes.

Segundo o diretor da Divisão de Vigilância do Canil de Bauru, Francisco Carlos Bossi, os guardas vão estar lá todos os domingos. Em princípio, a idéia era fazer o policiamento na companhia de dois rottweilers. No entanto, o procedimento não chegou a ser colocado em prática. A presença dos cães poderia provocar reações negativas entre os animais do zoológico.

Na opinião de Isaías Paz Moura, 38 anos, que estava acompanhado dos filhos João Vitor e Carina, a presença dos guardas municipais, na prática, não fará diferença alguma caso ocorra uma nova fuga de animais perigosos.

Segundo ele, o efeito será apenas psicológico, entre os visitantes. “Realmente, pode dar a impressão de segurança, mas eles (guardas) não têm o que fazer se algum animal escapar”, disse.

Moura se referia à falta de armas apropriadas, do tipo anestésicas ou outra qualquer, para conter um possível ataque.

Astélio Ferreira Moura, funcionário do zoológico, afirmou ontem que a freqüência de visitantes não foi alterada com a notícia da fuga dos tigres. Segundo ele, a média continua a mesma. Ou seja, cerca de 1.500 pessoas por fim de semana.

“A população entendeu que o que aconteceu aqui foi um caso isolado”, acredita.