10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Centrinho deve começar greve hoje

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

Ainda sem acordo sobre reposição salarial, funcionários do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da Universidade de São Paulo (Centrinho/USP) decidiram cruzar os braços a partir de hoje.

Apesar da paralisação, o atendimento aos pacientes continuará sendo feito, embora num ritmo bem mais lento do que ocorre normalmente. Será mantida a presença de pelo menos 30% dos funcionários dentro do hospital, que é o mínimo exigido pela Constituição Federal para os serviços considerados essenciais.

A greve seguirá até a próxima quarta-feira, quando será feita nova assembléia da categoria para avaliar o movimento e decidir se ele continua ou não.

A paralisação foi decidida na semana passada como resposta à negativa do Conselho de Reitores das Universidades Paulistas (Cruesp) de conceder reajuste salarial de 16% aos servidores.

Alegando comprometimento da folha de pagamento das universidades, o Cruesp rejeita a concessão de qualquer reajuste.

Na avaliação da diretora do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp), Elaine do Amaral Godoi, a greve foi a forma encontrada para pressionar o Cruesp a negociar com a categoria e desistir da proposta de reajuste zero.

Dos 428 funcionários do Centrinho, 147 aprovaram o início da greve. Aqueles que ainda não aderiram ao movimento serão procurados hoje por representantes do Sintusp para “um diálogo”.

“Vamos conversar com cada um dos funcionários (que não aderiram à paralisação) para explicar que a participação de todos (na greve) é muito importante”, comentou ontem Elaine.

“No entanto, aqueles que não se sentirem à vontade para participar da greve terão total liberdade (para continuar trabalhando)”, declarou a diretora.

FOB

O movimento poderá ganhar uma dimensão ainda maior caso os professores e funcionários da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB), da USP, também decidam entrar em greve.

Eles farão assembléia hoje, por volta das 10h, no salão nobre da faculdade. Se o resultado da reunião apontar para a greve, todos os serviços prestados na FOB serão suspensos, o que inclui as aulas e o atendimento gratuito à população.

A faculdade conta atualmente com 95 professores e 196 funcionários. Se decidirem pela paralisação, das três unidades da USP em Bauru apenas a Fundação para o Estudo e Tratamento das Deformidades Craniofaciais (Funcraf) continuará com suas atividades normais.

A greve nas três universidades públicas do Estado - USP, Universidade Estadual Paulista (Unesp) e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) - irá completar um mês esta semana.

Além do reajuste salarial de 16%, funcionários e professores reivindicam também a apresentação de uma política de reposição das perdas salariais nas três instituições.

Ao contrário do que sustenta o Cruesp, o Fórum das Seis - entidade que reúne os sindicatos de docentes e funcionários das três universidades - alega que o reajuste é possível. Segundo a entidade, a arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) teria aumentado nos quatro primeiros meses deste ano em comparação com igual período no ano passado.