09 de julho de 2026
Bairros

Grávida do Carolina pega leishmaniose

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 4 min

A Secretaria Municipal de Saúde confirmou ontem o primeiro caso de leishmaniose visceral humana no Jardim Carolina, bairro afastado da área de concentração do foco (região da Vila Dutra). A contaminação da vítima, uma gestante de 4 meses, fez aumentar em Bauru as estatísticas da doença, que só neste ano contaminou nove pessoas. Em 2003, outros 15 moradores da cidade foram infectados.

“É preocupante (o registro de leishmaniose em bairro sem a ocorrência da doença), mas era esperado porque temos cães positivos (para a doença) em 45 bairros da cidade”, explica a diretora do Departamento de Saúde Coletiva (DSC), Maria Helena Abreu. A enfermidade é transmitida a cães e humanos através do mosquito palha infectado.

De acordo com ela, em função da nova notificação, o trabalho de busca ativa em pessoas (com sintomas da doença) será reorganizado pelo DSC, que incluirá o Jardim Carolina. Ainda nesta semana os moradores do bairro devem ser visitados.

“Também faremos a vistoria ambiental (para encontrar, por exemplo, lixo em terrenos baldios)”, acrescenta ela. O transmissor procria-se em material orgânico em decomposição. Por essa razão, a fiscalização é bem-vinda no bairro.

Uma moradora da rua Salgado Filho, que preferiu não se identificar, disse já ter se desentendido com a vizinhança por causa de lixo dispensado em dois terrenos próximos.

“Eu temo principalmente pelos meus filhos (de 14 e 11 anos). A gente acha que nunca vai acontecer conosco, mas quando aparece próximo, bate a preocupação”, confessa Neuza Aparecida do Nascimento, uma outra moradora do Jardim Carolina.

Animais

Ela confirma que alguns vizinhos deixam sacos de lixo pelas calçadas aguardando a recolha promovida pela Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), mas os cães errantes passam antes e transportam sujeira pela região. Esses animais, assim como os outros que vivem nas residências do bairro, também devem ter amostras de sangue coletadas para exame.

O início dessa coleta no Jardim Carolina depende da conclusão das demais iniciadas pelas cinco equipes do departamento. Desde o dia 7, elas percorrem os bairros Edson Francisco e Nova Esperança; Jardim Petrópolis e Vila Quaggio; Jardim Manchester; Vila Dutra e Centro.

“Não acabamos (a coleta) em nenhuma delas (regiões). Vamos avaliar (o desenvolvimento do trabalho) para checar qual (equipe) vai para lá”, informa Abreu. Só neste ano foram registrados cerca de 210 casos da doença em cães, de um total de aproximadamente 2.600 examinados.

As cinco frentes de trabalho definidas para coletar as amostras em animais são formadas por parte dos 130 profissionais da Secretaria Municipal da Saúde (SMS) destacados para trabalhar no combate à doença. Em Araçatuba, município com 170 mil habitantes, que desde 1999 vive uma epidemia de leishmaniose, 140 funcionários exercem a mesma função.

A cidade que fica a 200 quilômetros de Bauru ocupava a primeira colocação no ranking da doença no Estado de São Paulo com nove casos registrados neste ano, mas ontem Bauru conseguiu empatar em número de notificações.

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Campanha

Para tentar conter a disparada de casos de leishmaniose em Bauru, o Departamento de Saúde Coletiva (DSC) lançará mão de campanhas educativas que serão promovidas junto às escolas públicas e privadas do município.

Os alunos de 1ª a 4ª série das escolas municipais serão precavidos contra a doença a partir de cartilhas e jogos lúdicos. “A família terá de ajudar (o aluno a fazer o jogo). A comunidade também (as crianças podem jogar entre elas)”, explica a assistente social do DSC, órgão da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Cristina Lorenzetti Campos.

De acordo com a assistente social, o material foi elaborado pelas secretarias de Educação e de Saúde. “A agência (de publicidade da administração municipal) fará o arremate. Devem ser distribuídas 35 mil cartilhas. Nas escolas estaduais (de 5ª a 8ª série) os estudantes vão trabalhar os jogos dentro da sala de aula e durante o Programa Família na Escola”, informa.

Por meio do programa, desenvolvido nos finais de semana quando as escolas ficam abertas à comunidade, o DSC também iniciará um projeto piloto na escola estadual Guia Lopes, na Vila Dutra. Através de peças teatrais, jogos e trabalho casa-a-casa, os estudantes vão discutir temas como aids, dengue e especialmente leishmaniose.

“A chefia da unidade de Saúde da Vila Dutra chamou o DSC para dar assessoria. Nas escolas particulares recebemos solicitação para palestras. A Direção Regional de Ensino também pediu (algumas palestras pontuais). Já estamos fazendo treinamento com professores (da rede estadual)”, conclui.