Dois Córregos - O lavrador Manoel Souza da Silva, 32 anos, morreu anteontem à noite após ser atingido no peito por um golpe provavelmente de faca, no Centro de Dois Córregos (73 quilômetros a Leste de Bauru). Somente neste ano, a cidade já registra quatro homicídios. A título de comparação, em 2003, nenhuma pessoa foi assassinada no município, de aproximadamente 23 mil habitantes.
Das quatro ocorrências que terminaram em morte, três envolveram lavradores que vieram de diferentes estados do Nordeste para trabalhar na colheita da cana.
Esse foi o caso do homicídio de anteontem. De acordo com a versão apresentada à polícia por testemunhas, Silva teria sido esfaqueado depois de uma discussão com o também lavrador Valentim Gomes, 40 anos, em um baile de forró.
Mesmo ferido, ele teria caminhado cerca de 100 metros, vindo a cair sobre um viaduto, de onde foi socorrido até o Pronto-Socorro Municipal. Silva morreu pouco depois de receber atendimento médico.
De acordo com a polícia, a vítima teria vindo da Bahia para trabalhar em Dois Córregos. O suposto agressor seria do Maranhão, segundo as testemunhas. Até o fim da tarde de ontem, o acusado ainda não havia sido localizado pela polícia.
Na quinta-feira passada, um desentendimento por causa de uma partida de baralho também acabou em morte em Dois Córregos. Dois lavradores nordestinos discutiram e um deles disparou três tiros contra o outro.
Cícero Bill do Nascimento, 37 anos, foi atingido na nuca e em outras partes da cabeça e morreu antes de ser socorrido. O suspeito pelos disparos, Valdik Cavalcanti de Lima, 40 anos, continua desaparecido.
O outro homicídio envolvendo trabalhadores rurais do Nordeste aconteceu há cerca de dois meses. Das quatro mortes registradas desde o começo do ano, apenas uma envolveu moradores de Dois Córregos.
O delegado José Carlos Freitas de Cara, disse que a polícia tem feito seguidas abordagens para evitar que os trabalhadores que vêm de outras cidades andem armados.
Segundo ele, várias armas chegaram a ser apreendidas, a maioria delas composta por facas. Mas a quantidade de trabalhadores que chegam a cidade na época da safra da cana é muito grande e dificulta um controle mais rigoroso. Estima-se que a população de forasteiros chega a 4 mil todos os anos.
Além do grande número de trabalhadores, o delegado mostra-se preocupado também com a falta de rigor na fiscalização dos alojamentos, serviço que compete à prefeitura. Segundo ele, muitos desses locais não possuem alvará de funcionamento.
No ano passado, o delegado lembra que houve apenas tentativas de homicídio. Em uma delas, a vítima recebeu 17 facadas, mas mesmo assim conseguiu sobreviver.